Agricultores terão dentro de “poucos dias” apoios de 10 ME
16 de out. de 2017, 13:10
— Lusa/AO Online
Lembrando as “grandes dificuldades no setor
agrícola e na alimentação dos animais” devido ao período continuado de
seca, Capoulas Santos - que intervinha na apresentação de uma campanha
para promoção do consumo de leite, no Centro Cultural de Belém, em
Lisboa - falou numa “nova medida que estará em execução dentro de poucos
dias”, para a qual já assinou a portaria.Questionado pela
agência Lusa à margem do encontro, referiu que em causa está “uma linha
de crédito [no valor de cinco milhões de euros], garantida pelo Estado,
que permite que os produtores que tenham animais registados no sistema
informático do ministério [da Agricultura] possam aceder, no caso dos
bovinos, a um valor de 180 euros por cabeça”.Frisando que o
objetivo é “dar resposta aos problemas da alimentação animal”, o
governante sublinhou que “esta linha de crédito traz juros bonificados
e, portanto, será amortizável no prazo de dois, três anos”.Além desta medida, o executivo pretende garantir a disponibilidade de água para as explorações.Por
essa razão, “já tinha adotado várias medidas para financiar
equipamentos, captações, transporte de água, etc., e agora reforçou
essas dotações em mais cinco milhões de euros”, segundo o responsável.Capoulas
Santos frisou que o Governo tem vindo a adotar, nos últimos meses,
várias medidas para responder a “um dos aspetos mais negativos” da seca,
que tem a ver com a questão da pecuária.“Há dificuldades, quer quanto à disponibilidade de água, quer quanto à disponibilidade de alimentos”, acrescentou.A campanha hoje apresentada é promovida pela Federação Nacional das Cooperativas de Leite (FENALAC).Falando
à Lusa à margem da ocasião, o presidente da FENALAC, Manuel dos Santos
Gomes, afirmou, sem precisar, que o setor está a trabalhar “em projetos”
que minimizem as consequências da seca.Contudo, disse esperar que este fenómeno “não volte” a verificar-se, após ter-se também verificado em 2005.“Isto
não pode ser todos os anos como é este ano, se não para o ano estamos
sem florestas e sem qualquer tipo de alimentação”, indicou.Mais
de 80% de Portugal continental encontrava-se em setembro em seca severa,
segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera, que caracterizou
este mês como “extremamente quente”.Neste período, o total de
precipitação acumulado foi de 621,8 milímetros (70% do normal), sendo o
9.º valor mais baixo desde 1931.