Agricultores dos Açores com prejuízo de 30ME devido à redução do preço do leite
6 de abr. de 2023, 17:24
— Lusa
“Se a redução do
preço do leite for a que já está anunciada, serão, até ao final do ano,
cerca de 30 milhões de euros de prejuízo para os produtores de leite”,
disse aos jornalistas o líder da Federação Agrícola dos Açores (FAA),
Jorge Rita, durante o XV Curso de Preparadores de Animais, que decorreu
na Associação Agrícola de São Miguel, na Ribeira Grande.A
Prolacto anunciou uma redução de cinco cêntimos no preço do leite pago
ao produtor a partir de 01 de abril, enquanto a BEL anunciou uma baixa
de três cêntimos a partir de maio.Jorge
Rita acusou a indústria de ser “muito proativa” na redução do preço de
leite e “muito tardia” na subida do valor pago ao produtor.“Durante
o último ano, as subidas deviam ter sido muito mais acentuadas, como
foram em todos os mercados internacionais. Isso não aconteceu. Ficaram
no bolso da indústria e da distribuição perto de 20 milhões de euros no
ano passado, por não pagarem de forma atempada e completa aos
produtores”, criticou.O líder da FAA, que
também preside à Associação Agrícola de São Miguel, avisou que a
indústria dos laticínios já baixou o preço do leite sem que os
consumidores tenham sido “beneficiados” com uma redução do preço final.“A nossa indústria não merece os produtores que tem”, atirou.Jorge Rita reforçou que a região deve apostar na “excelência do produto” em detrimento de uma aposta na quantidade.“Temos
de mudar o paradigma de venda de produtos de baixa gama nos Açores. Tem
de ser uma mudança rápida por parte da indústria e de todos os que
estão na área comercial. É inimaginável que a produção de leite termine
nos Açores quando representamos mais 300 milhões de euros de exportações
da região”, vincou.O presidente do
Governo dos Açores (PSD/CDS-PP/PPM), José Manuel Bolieiro, disse
respeitar as regras do mercado, manifestando-se “solidário” com os
agricultores.“A produção está a fazer o
seu papel. A indústria tem de assumir a sua responsabilidade no sentido
da transformação de qualidade para que, na lógica do funcionamento do
mercado, seja no preço ao consumidor, seja num preço justo a pagar ao
produtor, haja um reequilíbrio”, assinalou.O
líder regional defendeu as políticas do Governo dos Açores no setor
agrícola, que combateram o “esmagamento de rendimento que recaia de
forma injusta e constante no produtor”.Bolieiro
prometeu ainda que o executivo vai estar “vigilante” para promover um
“equilíbrio justo” entre os “preços e os rendimentos”.“Fica
uma exortação à indústria. Que olhe para o bom funcionamento do mercado
e para esta cadeia de valor. Não é esmagando o preço ao produtor que
temos matéria-prima, qualidade e quantidade suficiente para fazer
funcionar a nossa economia”, concluiu.