Agricultores açorianos vão pedir Assembleia Geral extraordinária de Associação de São Miguel
16 de fev. de 2024, 06:51
— Lusa/AO Online
A
decisão foi tomada por unanimidade numa sessão realizada na
quinta-feira à noite, na freguesia de Covoada, no concelho de Ponta
Delgada, com a presença de mais de 50 agricultores, na maioria
produtores de leite. “Nós vamos fazer
circular uma lista, um documento, onde vamos reunir as assinaturas dos
associados da Associação Agrícola de São Miguel, para exigirmos uma
Assembleia Geral extraordinária, com os pontos (…) que falámos aqui esta
noite, [e] que nos preocupam imenso”, disse aos jornalistas o porta-voz
do grupo, Fernando Mota, no final da reunião.Segundo
o responsável, estão em causa medidas que preveem a redução de adubos,
“o desaparecimento quase completo dos subsídios” e a passagem de “um
quarto” das explorações agrícolas para modo biológico, entre outras.Os
agricultores açorianos também estão preocupados com o Acordo de
Parceria Estratégica 2023/2028, assinado em 2023 entre o Governo
Regional e vários parceiros, incluindo a Federação Agrícola dos Açores,
que prevê, entre outras medidas, o incentivo “à redução voluntária da
produção de leite e reconversão das explorações de leite para carne”.Contestam,
ainda, os objetivos do Pacto Ecológico Europeu que inclui, até 2030,
uma redução de 50% da utilização dos pesticidas, de 20% da utilização de
fertilizantes, de 50% das vendas de agentes antimicrobianos utilizados
em animais de criação, a exploração de 25% das terras agrícolas segundo
os métodos da agricultura biológica e o fim do gasóleo verde.“Isso
vai mudar muito aqui na terra [ilha de São Miguel]. As pessoas não
fazem ideia, mas provavelmente duas fábricas de leite irão desaparecer,
porque essas fábricas estão com a capacidade instalada para xis mil
toneladas por ano. [E], se desaparecer esse leite, não têm leite com que
trabalhar. Não sei que ideias são essas e com que fundamento, porque
(…) nada vai ser igual como hoje”, explicou Fernando Mota.O
porta-voz do Movimento Cívico de Agricultores de São Miguel referiu que
as preocupações “fazem sentido”, numa altura em que os agricultores
europeus também saem à rua.Durante a
sessão, Fernando Mota resumiu que os agricultores açorianos estão
preocupados com a “baixa do preço do leite”, com as “perdas acumuladas
de ano para ano”, com as burocracias nos licenciamentos das explorações e
com os pagamentos para a Segurança Social por parte dos jovens
agricultores.Por isso, reivindicam a
valorização dos seus produtos, “margens de lucro positivas” para as suas
explorações e “menos burocracias com papéis”, pois segundo Fernando
Mota “é mais fácil registar um filho do que um vitelo”.Os
agricultores da ilha de São Miguel estiveram reunidos na noite de
quinta-feira, depois de terem cancelado uma concentração prevista para
aquele dia, no seguimento de um protesto que decorreu na semana passada.