Agricultores açorianos preocupados com descida do preço do leite
Hoje 17:31
— Lusa/AO Online
A Federação Agrícola já
tinha manifestado o seu descontentamento, na sequência do anúncio da
descida do preço do leite pela UNICOL nas ilhas Terceira e Graciosa,
onde os produtores passaram a receber menos três cêntimos por litro de
leite entregue, desde 01 de fevereiro.Num
comunicado, a Associação Agrícola de São Miguel e a
Federação Agrícola dos Açores manifestam também o seu descontentamento e
preocupação face à recente decisão de redução do preço do leite pago
aos produtores, anunciada pela indústria de transformação de laticínios
BEL.Referem que, segundo "a informação
transmitida" pela BEL, "a partir de 01 de março, o preço do leite
sofrerá uma descida de dois cêntimos por litro, sendo igualmente
aplicada uma redução de 0,25 cêntimos por litro ao leite frio
comercializado no âmbito do programa ‘Leite de Vacas Felizes’", um
projeto que visa a sustentabilidade e o bem-estar animal.As
duas entidades alertam que “num contexto de custos de produção elevados
e de falta de mão-de-obra no setor”, esta redução surge como “mais um
fator de instabilidade para as explorações agrícolas” e “penaliza
severamente” os produtores.Para o
presidente da AASM e da FAA, Jorge Rita, esta decisão da BEL coloca em
causa o espírito do projeto ‘Vacas Felizes’, sublinhando que este "não é
um projeto exclusivo da BEL", mas "de todos os produtores envolvidos".“Com
condições como estas, torna-se muito difícil convencer os jovens a
apostar na produção de leite. Falamos constantemente da necessidade de
renovar o setor, mas depois é criado um cenário que afasta quem queira
começar”, afirmou o dirigente, citado na nota, acrescentando que a
situação afasta “quem quer e precisa de investir no setor”.O
dirigente alerta também para o risco de escassez de leite e sublinha
que a saída de produtores da atividade é uma consequência direta das
opções tomadas pela indústria.Jorge Rita
considera igualmente que o Governo Regional dos Açores deve promover uma
análise “profunda e realista” sobre o futuro do setor leiteiro,
nomeadamente quanto à viabilidade de novos investimentos industriais,
"numa altura em que tudo aponta para a redução do número de produtores e
da própria produção de leite na região", é referido ainda.A
Associação e a Federação salientam ainda que os produtores dispõem de
mecanismos de defesa, como a reconversão da produção de leite para carne
e a redução voluntária da produção leiteira.