Agentes da PSP e militares da GNR manifestam-se em Ponta Delgada

Hoje 09:21 — Daniela Arruda

Cerca de meia centena de agentes da PSP e militares da GNR concentraram-se na Praça Gonçalo Velho Cabral, em Ponta Delgada, para exigir melhores condições de trabalho, mais efetivos e melhorias nos salários, nas carreias e nas reformas. Paulo Santos, presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP), alertou para as dificuldades que estes profissionais sentem nos Açores, onde há esquadras fechadas ao público e falta de viaturas para assegurar o patrulhamento. O dirigente lembrou ainda que o Governo da República continua por cumprir medidas que estavam previstas no acordo assinado em 2024.Nesse sentido, defendeu que a profissão tem de se tornar mais atrativa, é preciso melhorar os salários e recuperar a motivação dos profissionais do setor. Já César Nogueira, presidente da Direção Nacional da Associação dos Profissionais da Guarda, pediu ao Governo propostas concretas que permitam avançar já com negociações para que novas medidas comecem a ser aplicadas já a partir de janeiro de 2027.Pedro Nascimento Cabral, presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, manifestou o seu apoio e solidariedade às reivindicações e lembrou a falta de agentes, bem como a degradação das esquadras e a escassez de viaturas. Recordou também que já pediu o reforço de 75 agentes da PSP para o concelho, e defendeu que melhores condições para as forças de segurança são importantes para garantir a segurança da população. José Pereira, agente da PSP na esquadra de Angra do Heroísmo há 30 anos, disse que  a falta de pessoal é o principal problema, a par da falta de viaturas, de equipamentos informáticos e das condições dos edifícios. Segundo o manifestante, as saídas de agentes são superiores às entradas devido à falta de atratividade da carreira e à preferência pelos comandos maiores por parte dos  profissionais mais novos, como Lisboa e Porto. E na pratica a falta de pessoal obriga a que as folgas sejam cortadas: “Cortam-nos o direito de descanso”, sublinhou. José Pereira está nesta carreira há 30 anos, diz que se sente satisfeito com a profissão que escolheu, mas “triste porque muitas das coisas que reivindicamos e precisamos não chegam efetivamente”.Também Cristiano Correia, agente da PSP no Comando do Porto e dirigente sindical, defendeu que é preciso manter a luta por melhores condições de trabalho. Nesse sentido, sublinhou que cabe ao Governo e às entidades responsáveis garantir as condições adequadas para o exercício da profissão, garantindo que os agentes vão continuar a luta até que as suas reivindicações sejam atendidas.