Agentes culturais dos Açores pedem intervenção de Bolieiro no pagamento de apoios
4 de jan. de 2024, 15:58
— Lusa
“É fundamental
garantir o pagamento das verbas contratualizadas e o uso integral da
verba aprovada em sede do parlamento regional dos Açores para o
orçamento de 2023, apresentado pelo seu executivo. Tal não se verificou
até à data. Sem esse investimento mínimo, 2024 corre o risco de começar
com vários artistas e agentes da cultura a passarem fome”, lê-se na
carta, a que a Lusa teve acesso.Em causa
está o atraso no pagamento das candidaturas ao Regime Jurídico de Apoio
às Atividades Culturais (RJAAC) dos Açores de 2023, que, segundo os
agentes culturais, “tomou proporções calamitosas”.A
missiva, enviada ao presidente do executivo açoriano, José Manuel
Bolieiro (PSD/CDS-PP/PPM), é assinada por 43 pessoas e 18 associações
culturais, das ilhas de São Miguel, Terceira, Faial, Pico, São Jorge,
Santa Maria, Flores e Corvo.“Falta
organização, falta compromisso e falta profissionalismo. Existem
famílias endividadas, a sofrer consequências graves para continuar a
fornecer produtos culturais ao arquipélago. Existem organizações,
associações e instituições à beira do encerramento por manifesta falta
de apoio e diálogo com as autoridades competentes”, alertam.Os
signatários manifestam “preocupação e profunda tristeza” com a situação
atual do setor cultural nos Açores, que dizem ser “um dos mais
esquecidos e invalidados politicamente”.“Ignorar
estes setores é ignorar os Açores. E consideramos que é essa a atual
realidade, face ao publicamente anunciado pela direção regional
competente, e nunca invalidado pela sua secretaria, sentimo-nos
esquecidos e maltratados”, vincam.Em
dezembro, vários agentes culturais alertaram para o atraso no pagamento
dos apoios do RJAAC, em comunicados de imprensa ou em declarações à
comunicação social.Questionado pela Lusa, o
diretor regional dos Assuntos Culturais, Duarte Nuno Chaves, disse que
98% das candidaturas já estariam processadas e que uma “percentagem
muito pequena” aguardava por reavaliação.“Não
posso garantir que estejam todas pagas, mas os processos estão todos
finalizados e, à medida que vão sendo finalizados, vai sendo enviada a
indicação para pagamento aos respetivos destinatários”, adiantou,
acrescentando que a diferença do atraso em relação a anos anteriores
“não foi muito grande”.Na carta enviada ao
presidente do Governo Regional, os agentes culturais criticam a “total
incapacidade de dar resposta às necessidades básicas de quem trabalha
nestas áreas” da tutela, lembrando que, em três anos, o executivo teve
duas secretárias e três diretores regionais na pasta dos Assuntos
Culturais, “com maneiras de atuar e estratégias completamente díspares”.Pedem
a “intervenção hierárquica superior” do chefe do executivo açoriano
para “sanar o comportamento irresponsável, imoral e de má fé que tem
pautado a conduta dos atuais responsáveis pela tutela cultural nos
Açores”.Os agentes culturais pedem ainda
ao presidente do Governo Regional para “resolver esta situação,
garantindo a reposição da legalidade, a resolução dos conflitos e uma
maior transparência e profissionalismo nos procedimentos de 2023 e dos
anos futuro”.“Certamente, vossa excelência
compreende a importância vital deste setor para os Açores e acreditamos
que irá tomar as medidas necessárias para resolver esta situação de
forma célere e eficaz. O setor cultural dos Açores não pode ser
negligenciado nem deixado à margem das prioridades políticas regionais”,
lê-se na missiva.