Agências de viagens preocupadas com risco de instabilidade nos aeroportos
Hoje 16:12
— Lusa/AO Online
Num
comunicado, a entidade veio “mostrar preocupação com a incerteza em
torno do processo de atribuição de licenças de assistência em escala
('handling') nos aeroportos portugueses, alertando para o risco de
disrupções operacionais em fases críticas para o turismo nacional”.Segundo
a ANAV, em causa estão “os desenvolvimentos recentes do concurso,
nomeadamente a contestação judicial em curso”, bem como o facto de o
processo não se encontrar concluído a cerca de dois meses do prazo
limite atualmente definido.“Quanto a nós,
esta situação levanta sérias dúvidas quanto à estabilidade operacional
do setor aeroportuário, podendo traduzir-se em impactos negativos na
pontualidade dos voos, no tratamento de bagagens e na experiência global
dos passageiros durante a época alta”, disse Miguel Quintas, presidente
da ANAV, citado na mesma nota.“Estamos a
entrar numa fase decisiva para o turismo nacional com demasiadas
incertezas”, indicou, apontando ainda questões como o EES (novo
‘software’ utilizado nos aeroportos).“O
setor precisa de previsibilidade e não pode correr riscos numa área tão
crítica como o ‘handling’ aeroportuário”, rematou Miguel Quintas.A
associação deu conta ainda do “impacto direto que eventuais
constrangimentos poderão ter nas agências de viagens, que poderão ser
chamadas a gerir alterações operacionais, atrasos ou irregularidades,
com reflexos na confiança dos consumidores e na qualidade do serviço
prestado”.Por isso, apelou às autoridades
competentes “para que seja assegurada, com caráter de urgência, uma
solução estável que garanta a continuidade, a fiabilidade e a eficiência
das operações aeroportuárias”.A 18 de
março, a Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC) assegurou que a sua
atuação no concurso para o 'handling' cumpre os princípios da
legalidade, da transparência e da ética e confirma que o consórcio
Clece/South entregou toda a documentação a 15 de março.No
início do ano, o regulador atribuiu ao consórcio Clece/South a licença
para a prestação de serviços de assistência em escala nos aeroportos de
Lisboa, Porto e Faro por sete anos, superando a proposta da SPdH. O
consórcio vencedor reúne a espanhola Clece e a empresa de 'handling' do
grupo dono da Ibéria (IAG)."A Autoridade
Nacional da Aviação Civil (ANAC) encontra-se a analisar a documentação
apresentada e dará nota ao concorrente e demais interessados dos
resultados da análise em curso, conforme estipulado na lei, tal análise
pode ser realizada no prazo máximo de 90 dias", disse à Lusa.Não
obstante, o regulador garante que "tomará em consideração a data de
validade das atuais licenças e a necessidade de garantir uma operação
regular e sem disrupções, pelo que decidirá em tempo, isto é, antes do
decurso do referido prazo".A Menzies
avançou, por sua vez, com uma providência cautelar no Tribunal
Administrativo e Fiscal de Lisboa para contestar o concurso, defendendo
que discorda do desenho do processo concursal e da forma como foi
conduzido, considerando que "não reflete adequadamente" a dimensão
operacional, a complexidade e os requisitos de segurança inerentes às
atividades de assistência em escala nos aeroportos portugueses de maior
tráfego.