Agências de viagens da Terceira querem que seja "reposta legalidade" de Subsídio Social de Mobilidade
11 de abr. de 2024, 17:13
— Lusa
Segundo
uma nota enviada às redações, as agências de viagens da ilha Terceira,
em conjunto com a Câmara do Comércio de Angra do Heroísmo, enviaram à
Secretaria Regional do Turismo e Transportes um ofício onde consideram
“inadmissível" que "esteja a ser exigido pelos CTT documentação que não
está prevista em legislação” e que esteja a ser “determinado um valor
que limita o reembolso, sem que exista qualquer deliberação legal para o
efeito”.“O subsídio social de mobilidade é
essencial para a mobilidade dos portugueses insulares, quer açorianos,
quer madeirenses, que não podem ser penalizados por exigências tomadas
por entidades que não têm qualquer competência para atuar como
legislador”, lê-se no ofício.De acordo com
uma nota de imprensa enviada pela Câmara do Comércio de Angra do
Heroísmo, associação empresarial das ilhas Terceira, Graciosa e São
Jorge, as agências “condenam veementemente” os "casos de abusos" e
eventuais fraudes e consideram “essencial que as investigações sejam
conclusivas e possam ser desenvolvidas pelas entidades competentes”. Consideram
ainda “fundamental que sejam esclarecidas as dúvidas existentes em
relação à norma” e que, inclusive, a mesma possa ser “clarificada, com
as necessárias alterações ao modelo atual”.Por
outro lado, é proposta a criação "de forma muito breve" de um grupo de
trabalho "para a clarificação da norma atual", em diálogo entre os
agentes do setor, Governos Regional e da República, "de forma clara e
aberta".No entanto, “antes disso, a
situação atual tem de ser desbloqueada imediatamente, para que os
açorianos não sejam penalizados com exigências ilegítimas e
profundamente penalizadoras”, alertam, considerando que “as exigências
tomadas recentemente, sem qualquer fundamento legal, colocam em causa a
sustentabilidade financeira deste setor e afetam gravemente a economia
da região”. As agências de viagens
garantem que pretendem “manter o papel ativo e capital que sempre têm
tido, na defesa intransigente dos interesses dos açorianos e da economia
local", quer no que se refere ao turismo, como a nível social para as
deslocações áreas dos açorianos”.Na
quarta-feira a secretária Regional do Turismo, Mobilidade e
Infraestruturas dos Açores disse, no parlamento açoriano, que os CTT
estão a pagar o Subsídio Social de Mobilidade (SSM) e “só não pagam às
agências que estão sob investigação” judicial.Berta
Cabral afirmou que falou com a diretora regional dos CTT, que
“confirmou que já estão a pagar, que estão a reembolsar”, as despesas
dos residentes com passagens para o continente, no âmbito do SSM, e que
os correios “só não pagam às agências que estão sob investigação, por
ordem do Tribunal”.A governante falava no
segundo dia dos trabalhos da sessão plenária ordinária da Assembleia
Legislativa dos Açores, na Horta, na discussão da anteproposta de lei do
BE que simplifica e previne eventuais fraudes na atribuição do SSM a
residentes nas regiões autónomas.A
iniciativa foi rejeitada por maioria, com 22 votos contra do PSD, cinco
do Chega, dois do CDS-PP, um do PPM e um da IL, 22 abstenções do PS e
dois votos a favor do BE e do PAN.Durante a
intervenção, a secretária regional referiu que o executivo de coligação
PSD/CDS-PP/PPM é “a favor da moralização, mas não cabe à Inspeção-Geral
de Finanças (IGF), nem cabe aos CTT fazer a alteração de um
Decreto-Lei, cabe ao Conselho de Ministros”.Adiantou
que já reuniu com a Associação Portuguesa das Agências de Viagens e
Turismo (APAVT) e está disponível para “agarrar este problema de fundo,
para considerar um valor elegível compatível com aquilo que é o custo
das agências, razoável e normal, tendo em conta o histórico”.