Agência Lusa passa em revista principais acontecimentos de 2022 em Anuário
10 de fev. de 2023, 09:45
— Lusa/AO Online
A
apresentação decorreu no El Corte Inglés, onde até 09 de março está
patente a exposição das fotografias que constituem o Anuário, “único no
panorama nacional”, salientou o diretor adjunto de Informação Nuno
Simas.O Anuário é uma parceria entre a
Lusa e a Alethêia Editores, tendo, na ocasião, a editora Zita Seabra
afirmado que o trabalho jornalístico da Lusa “marca o país”.Na
apresentação, o investigador da Universidade Nova de Lisboa Bernardo
Pires de Lima defendeu um “jornalismo livre como pilar da democracia” e
realçou a “qualidade do jornalismo português” tantas vezes feito “em
precárias condições”. Pires de Lima
defendeu que o jornalismo se deve afastar mais das redes sociais, “do
diz que disse [na rede social] Twitter, que só interessa a algumas
centenas”."O jornalismo português precisa
de ultrapassar alguns desafios se quiser continuar a ser um pilar da
nossa democracia, que tem alguns sintomas graves, tem algumas
personagens, alguns instintos que estão a vir ao de cima", alertou Pires
de Lima. Conselheiro político do
Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, muito captado pelas
objetivas dos fotojornalistas da Lusa, como faz prova a seleção do
Anuário, Pires de Lima realçou a “cobertura territorial da Lusa e a sua
pluralidade”, num combate ao “Lisboacentrismo”. O
Anuário, bilingue, em inglês e português, conta com 245 fotografias,
exclusivamente de fotojornalistas da agência, escolhidas de entre as
mais de 40.000 produzidas anualmente.A capa é uma fotografia de Miguel A. Lopes sobre a guerra na Ucrânia, que tem um capítulo especial dedicado ao tema.Escolher
a guerra na Ucrânia para a capa foi “incontornável”, disse o presidente
do conselho de administração da Lusa, Joaquim Carreira.Joaquim
Carreira realçou, a par da guerra, outro tema “marcante” no Anuário: as
alterações climáticas, seja pelos fogos, os mini-sismos registados nos
Açores ou as cheias.Uma das fotos
realçadas foi a do fotojornalista Paulo Cunha que captou um homem, em
tronco nu, carregando às costas uma ovelha, salvando-a das chamas na
aldeia da Boa Vista, no concelho de Leiria, apresentado como o “S. João
Batista português”.Organizado
cronologicamente, por meses, o “Anuário Lusa 2022” destaca os
acontecimentos ocorridos no ano passado, em Portugal e no mundo, da
vitória do PS, em janeiro nas eleições legislativas portuguesas, às
mortes do ex-Presidente de Angola José Eduardo dos Santos, em julho, do
futebolista Chalana, em agosto, e da Rainha britânica Isabel II, em
setembro, passando pelos acontecimentos sociais, laborais, culturais,
desportivos e religiosos.Na área cultural,
tem destaque a despedida dos palcos da cantora e atriz Simone de
Oliveira, com uma fotografia de Tiago Petinga, as diferentes atuações no
festival Rock in Rio, em junho, com fotografias, entre outros, de José
Sena Goulão, e o centenário do Parque Mayer, em Lisboa.O
ano passado foi ainda marcado pela pandemia de covid-19, com primeiros
sinais de retoma de uma vida sem restrições, ilustrado por uma
fotografia da ex-ministra da Saúde Marta Temido retirando uma máscara
sanitária, de autoria de Manuel de Almeida. Uma outra foto, de Tiago
Petinga, regista idosos de mais de 80 anos que tomaram a quarta dose da
vacina contra a covid-19.A guerra na
Ucrânia tem particular destaque neste Anuário, com outras fotografias e
textos relatando as operações militares e as suas consequências,
nomeadamente a fuga de cidadãos ucranianos, como se vê, numa fotografia
de Miguel A. Lopes da estação ferroviária de Lviv, ponto de chegada e
partida de milhares de refugiados. Um
quotidiano de guerra registado pelas objetivas dos fotojornalistas
Miguel A. Lopes e Nuno Veiga. Imagens incluídas neste Anuário,
acompanhadas de notícias assinadas pelos jornalistas enviados para a
Ucrânia, Henrique Botequilha e Pedro Caldeira Rodrigues.As
diferentes efemérides e festas anuais são também registadas neste
Anuário e no noticiário da Lusa, da chegada do Novo Ano Chinês,
festejado nas ruas de Macau, numa fotografia Carmo Correia, às
celebrações, em Timor-Leste, dos 20 anos da sua independência, tendo
Bernardo Pires de Lima realçado o trabalho da Lusa naquele país e
elogiado, em particular, o trabalho do fotojornalista António Cotrim. Também
incluídas estão as celebrações do Dia de Portugal, de Camões e das
Comunidades Portuguesas que, em 2022, foi comemorado em Braga, numa
fotografia de Hugo Delgado, ou o cortejo da Queima das Fitas, no Porto,
numa imagem de Estela Silva que também fotografou o regresso, depois de
dois anos de interrupção, das Festas de Nossa Senhora da Agonia, em
Viana do Castelo, ou a procissão das Velas, em Fátima, por ocasião das
celebrações do 13 de maio, pela objetiva de Paulo Cunha.Fotografias
das catástrofes, como as inundações em dezembro em Lisboa e os fogos,
no verão, nomeadamente o registado na Serra da Estrela, constam também
da revista do ano de 2022.O “Anuário Lusa
2022” foi coordenado editorialmente pela Direção de Informação (Luísa
Meireles, Maria de Deus Rodrigues e Nuno Simas), a seleção de
fotografias partiu dos fotojornalistas e a final foi da responsabilidade
de José Sena Goulão e Paulo Carriço, tendo a cronologia do ano sido
efetuada por Maria João Paiva e Nuno Pêgas, da editoria de Agenda.
Pêgas, Maria João Paiva e Nuno Simas fizeram a pré-seleção dos
acontecimentos do ano.A agência Lusa
iniciou o projeto de passar em revista o ano em imagens em 2004 com a
publicação de “Imagens Lusa” que manteve uma periodicidade anual até
2009, quando teve um interregno de nove anos, tendo retomado em 2018 com
o Anuário.