Agência Espacial Europeia lança na terça-feira primeiros satélites de nova missão
Hoje 17:52
— Lusa/AO Online
“Temos
habitualmente constelações [conjuntos de satélites] como o GPS e o
Galileo, que fornecem serviços de posição, navegação e tempo, em órbitas
médias, a cerca de 24.000 quilómetros de altitude, e com esta
constelação a ideia é fornecer serviços em complemento a estes, em
órbitas mais baixas, com altitudes a rondarem os 500 quilómetros”, disse
à agência Lusa o responsável por programas de telecomunicações e
navegação por satélite da agência espacial portuguesa (Portugal Space),
ao explicar a missão Celeste.Tiago Roque
Peres disse que a primeira fase da missão envolve o lançamento de 10
satélites, sendo que estes dois primeiros são mais pequenos do que os
oito restantes, a lançar posteriormente.Duas
empresas portuguesas estão envolvidas no projeto. “O trabalho que estão
a fazer é importante para este sistema, mas não será, pelo menos nesta
fase, embarcado no satélite”, especificou. Uma
dessas empresas, a GMV, destacou que num contexto internacional,
marcado por conflitos como a guerra na Ucrânia e a escalada de tensão no
Médio Oriente, a missão Celeste tem uma “importância estratégica”.O
projeto, referiu a empresa em comunicado, testa uma nova geração de
satélites para “reforçar sistemas europeus”, como o Galileo, garantindo
que a Europa mantém “acesso autónomo” a serviços essenciais de
posicionamento, navegação e sincronização de tempo, “mesmo em cenários
de crise ou conflito”.Tiago Roque Peres
referiu que a empresa está a trabalhar nos recetores e elementos
associados, o que vai permitir testar os sinais emitidos pelos
satélites.“Isto é um elemento muito importante de toda a cadeia que é um sistema destes, mas esta tecnologia fica aqui, na Terra”, disse.Outra
empresa portuguesa está a trabalhar em produtos que fazem parte dos
sistemas de controlo terrestre, sem os quais os satélites não podem
funcionar.Com o novo sistema (LEO PNT),
pretende-se acrescentar resiliência ao sistema europeu Galileo,
considerado uma referência no posicionamento por satélite.“Ao
termos mais satélites em órbitas diferentes, que estão a transmitir
também sinais que são diferentes, em frequências diferentes, significa
que existe uma maior diversidade de sinais e o facto de os satélites
estarem mais próximos da Terra, significa também que os sinais são
potencialmente mais fortes”, adiantou Tiago Roque Peres.“Os
recetores que explorem os sinais emitidos pelo LEO PNT, em complemento
aos sinais emitidos pelo Galileo e pelo GPS – porque estes sistemas
trabalham todos em sinergia entre eles – serão recetores mais
resilientes em contextos em que temos algum ator mal-intencionado que
está a poluir o espetro do Galileo”, afirmou o responsável da Portugal
Space.Um sistema como o LEO PNT permite ao recetor continuar a ter dados de posicionamento.“O
que estes sistemas fazem é dar ao recetor a localização dele na Terra.
Quando entramos no carro e ligamos o Waze ou o Google Maps para ver qual
é o caminho para o destino, o que o telemóvel vai fazer, em primeiro
lugar, é pedir ao recetor que está dentro do telefone qual é a posição”,
exemplificou o engenheiro aeroespacial.O
aparelho recebe, para o efeito, sinais emitidos por satélites e é com
base nessa informação que vai calcular o percurso e atualizar a posição
do condutor ao longo do percurso.Num
cenário em que os outros sistemas estejam a sofrer interferências, sejam
causadas com intenção ou motivadas por danos nos equipamentos, este
novo programa vem criar redundância e reforçar um sistema do qual a
sociedade está hoje muito dependente e que é considerado uma
infraestrutura crítica.