Agência anticorrupção quer prolongar mandado de detenção de Yoon
Coreia do Sul
6 de jan. de 2025, 12:45
— Lusa/AO Online
O mandado de detenção para
deter e interrogar Yoon (que ignorou três intimações para depor),
emitido a 31 de dezembro por um tribunal de Seul, expira à meia-noite desta segunda-feira.“Planeamos
solicitar uma prorrogação, o que exige a declaração dos motivos
para exceder o prazo padrão de sete dias”, disse o vice-diretor do
Gabinete de Investigação de Corrupção entre Altos Funcionários Públicos
(CIO, na sigla em inglês) sul-coreana.Numa
conferência de imprensa, Lee Jae-seung disse ainda que a agência pediu à
polícia, por carta, que se encarregue da execução do mandado de
detenção de Yoon.O CIO pediu à polícia que
se encarregasse da detenção “dada a sua experiência na execução de
mandados de detenção”, acrescentou Lee. Isto
três dias depois do Serviço de Segurança Presidencial ter impedido
agentes do CIO, acompanhados por dezenas de agentes da polícia, de
entrarem na residência para o deterem, após um confrontos que duraram
horas.Um representante da polícia disse à
agência de notícias pública sul-coreana Yonhap que a polícia está a
avaliar internamente a viabilidade jurídica do pedido do CIO.No
domingo, o mesmo tribunal que emitiu o mandado rejeitou um pedido de
anulação apresentado pelos advogados de Yoon, que argumentaram que
apenas o Ministério Público, e não o CIO, pode solicitar a detenção por
insurreição.Yoon foi acusado de
insurreição por ter tentado impor a lei marcial no início de dezembro,
revogada seis horas depois pelo parlamento, que aprovou a destituição do
presidente a 14 de dezembro.A crise
política que desde então assola o país registou um novo episódio na
sexta-feira, quando a polícia foi impedida pelos seguranças de Yoon de
capturar o antigo presidente.Se Yoon
tivesse sido levado pelos investigadores, seria a primeira detenção de
um chefe de Estado em exercício na história da Coreia do Sul.O
antigo procurador de 64 anos continua a ser oficialmente presidente até
que o Tribunal Constitucional confirme ou anule a destituição.Suspenso
de funções e confinado ao domicílio, Yoon é acusado de ter abalado a
jovem democracia sul-coreana na noite de 03 para 04 de dezembro, ao
proclamar de surpresa a lei marcial, um golpe de força que reavivou as
memórias dolorosas da ditadura militar.Num
parlamento rodeado de soldados, um número suficiente de deputados
conseguiu reunir-se para votar uma moção que exigia o levantamento do
estado de emergência.Pressionado pela
Assembleia Nacional, por milhares de manifestantes e limitado pela
Constituição, Yoon viu-se obrigado a revogar a lei marcial poucas horas
depois de a ter declarado.Yoon é alvo de várias investigações, incluindo uma por insurreição, um crime punível com a pena de morte.