África precisa de 3,4 milhões de vacinas para combater surtos
Mpox
17 de jul. de 2025, 17:12
— Lusa/AO Online
"A vacinação continua a ser
um desafio devido à escassez [de vacinas], e estima-se que sejam
urgentemente necessárias 3,4 milhões de doses para satisfazer a procura
atual", disse o subdiretor dos Centros de Controlo e Prevenção de
Doenças de África (Africa CDC), Yap Boum, numa conferência 'online'.Segundo
Boum, neste momento, não há mais nenhuma vacina disponível, sendo que
cerca de três milhões de doses foram distribuídas. Dessas, cerca de 2,5
milhões foram destinadas à República Democrática do Congo (RDCongo),
epicentro deste surto, pois a doença é endémica nesta geografia.De
uma forma global, em África, mais de 795.000 pessoas foram vacinadas
com pelo menos uma dose, 69% das quais na RDCongo, país vizinho de
Angola.Desde janeiro de 2024, o continente
registou 159.196 casos suspeitos e 46.486 confirmados em laboratório,
bem como 1.879 mortes suspeitas e 216 confirmadas com testes, de acordo
com a agência de saúde pública.Nas últimas
três semanas, três países - RDCongo, Uganda e Serra Leoa
- representaram 74% dos casos e 78% das mortes no continente.Por
um lado, segundo Boum, "os casos de mpox estão a diminuir na maioria
dos países com alta incidência, como a RDCongo e Serra Leoa". No entanto, o número de casos aumentou significativamente na Nigéria, Libéria, Zâmbia, Quénia e Guiné-Conacri, frisou.Por seu turno, Moçambique já detetou seis casos de mpox, especificamente na província de Niassa (norte do país).Para
a União Africana, os sistemas de vigilância comunitária estão a
melhorar em todo o continente, "como demonstra o aumento da cobertura
dos testes e a mobilização de pessoal de saúde comunitário".A
agência de saúde pública africana declarou em agosto passado o mpox
como uma emergência de saúde pública de segurança continental e,
posteriormente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou o estado
de alerta sanitário internacional pela doença.O
mpox é uma doença infecciosa que pode causar erupções cutâneas
dolorosas, inflamação dos gânglios linfáticos, febre, dor de cabeça,
dores musculares, dor nas costas e falta de energia.