África enfrenta tragédia humana e calamidade económica
23 de jun. de 2021, 16:08
— Lusa/AO online
"África
está agora a enfrentar a mais rápida taxa de crescimento mundial de
novos casos de covid-19, com uma trajetória exponencial ainda mais
alarmante do que durante a segunda vaga, em janeiro, e segundo a
tendência atual, esta vaga vai provavelmente ultrapassar os picos
anteriores durante a próxima semana", afirmou Kristalina Georgieva, na
sua intervenção nos Encontros Anuais do Banco Africano de
Desenvolvimento (BAD)."É
uma tragédia humana e uma calamidade económica", disse a responsável,
exemplificando que "vários países no continente, desde a África do Sul
ao Uganda ou Ruanda, foram obrigados a reintroduzir restrições, piorando
ainda mais uma recuperação já de si precária, num contexto em que
África está mal protegida devido a uma severa falta de vacinas, já que
só 0,6% da população adulta africana foi completamente vacinada".
Para Georgieva, "os sinais de alarme são claros, e mostram uma pandemia
a duas velocidades, que leva a uma recuperação a duas velocidades, com
África a ficar para trás em termos de perspetivas de crescimento
económico".O FMI estima uma taxa de crescimento global de 6% este ano, mas apenas 3,2% para o continente africano.Os
Encontros Anuais do BAD decorrem até sexta-feira em formato virtual,
dedicados ao tema “Construindo Economias Resilientes na África
Pós-Covid”, e vão fornecer uma plataforma para os governadores
partilharem a experiência dos seus países na gestão da pandemia e nas
medidas políticas que estão a implementar para reconstruir as economias,
segundo a organização.O
BAD é uma entidade financeira multilateral vocacionada para financiar o
desenvolvimento, cujos acionistas são os governos africanos e outros
países não regionais, como por exemplo Portugal.África
registou mais 459 mortes associadas à covid-19 nas últimas 24 horas,
para um total de óbitos desde o início da pandemia de 138.154, e 21.547
novos infetados, de acordo com os dados oficiais mais recentes. Segundo
o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da União Africana (África
CDC), o número total de casos no continente é de 5.234.387 e o de
recuperados da doença é de 4.643.802, mais 21.290 nas últimas 24 horas.
O
primeiro caso de covid-19 em África surgiu no Egito, em 14 de fevereiro
de 2020, e a Nigéria foi o primeiro país da África subsaariana a
registar casos de infeção, em 28 de fevereiro.A
pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 3.884.538 mortos no mundo,
resultantes de mais de 179 milhões de casos de infeção, segundo um
balanço feito pela agência francesa AFP. A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.