África do Sul com 24 mil profissionais de saúde infetados
Covid-19
5 de ago. de 2020, 10:13
— Lusa/AO Online
De
acordo com Zweli Mkwize, o número de casos de covid-19 entre os
profissionais de saúde representa 5% do número total de infeções pelo
novo coronavírus no país, valor inferior à média mundial de 10%. Em
resposta a queixas de que os trabalhadores da saúde não estão a receber
equipamento de proteção pessoal adequado, Mkhize disse que o Governo
está a distribuir esses equipamentos e a analisar "urgentemente" todas
as queixas, especialmente por parte dos sindicatos de enfermeiros. Por
outro lado, o ministro da saúde da África do Sul assinalou a descida
dos novos casos de covid-19 no país, mas alertou que a vigilância deve
continuar "para evitar um novo surto".A
África do Sul tem 521.318 casos confirmados de infeções pelo novo corona
vírus, é o quinto país com a taxa de infeções mais elevada do mundo e
concentra mais de metade de todos os casos comunicados em África.Desde
o início da pandemia foram registadas 8.884 mortes por covid-19, embora
estudos sobre as taxas de mortalidade indiquem que o número real de
mortes poderá ser mais elevado.A rápida
propagação de infeções em centros urbanos pobres e sobrelotados na
Cidade do Cabo, Joanesburgo e outras cidades ameaçou sobrecarregar os
hospitais públicos, mas Zelei Matize disse aos jornalistas que até agora
o sistema de saúde tem sido capaz de lidar com a situação."Os nossos hospitais foram inundados, mas não esgotámos a nossa capacidade hospitalar", disse. "As
enfermarias e as camas dos cuidados intensivos estão cheias, mas não
atingimos a capacidade total e os hospitais de campo que construímos
ainda têm espaço", acrescentou, assegurando que os doentes críticos têm
tido acesso ao oxigénio necessário.A
África do Sul foi o primeiro foco da covid-19 em África e os
especialistas em saúde advertem que o resto do continente pode assistir a
uma propagação semelhante da doença. O
país tem um dos sistemas de saúde mais avançados do continente e os
especialistas receiam que outros países menos preparados possam não
conseguir lidar tão bem com a doença.A
província do Cabo Ocidental, incluindo o centro turístico da Cidade do
Cabo, foi a primeira a registar um pico da doença, mas novas infeções e
hospitalizações começaram a diminuir em julho.A
província de Gauteng - incluindo a maior cidade do país, Joanesburgo e
Pretória, a capital - tiveram picos em junho, atingindo 6.000 novos
casos por dia, mas estão agora a assistir também ao declínio dos números
de novos casos. Gauteng é atualmente responsável por 35% de todos os casos registados no país."Gauteng
continua a ter números elevados. Precisamos de gerir a situação com
muita cautela, uma vez que poderá rapidamente experimentar outro aumento
à medida que as pessoas se deslocam", disse Mkhize.Globalmente,
a África do Sul registou uma média de mais de 10.000 novos casos por
dia no final de julho, tendo os novos casos confirmados caído para menos
de 5.000 por dia, disse Mkhize."O nosso maior desafio vai ser a consolidação da contenção da doença", disse Mkhize. "Podemos
muito bem ter ultrapassado o primeiro pico no final de agosto, mas a
verdade é que se não mantivermos as nossas medidas de contenção, em
breve veremos um problema muito pior", acrescentou.