Afonso Eulálio está 100% focado em aprender e ajudar Tiberi
Giro
7 de mai. de 2025, 16:28
— Lusa/AO Online
Aos 23 anos, o ‘miúdo’ da Figueira da Foz vai
correr, a partir de sexta-feira, a sua primeira ‘grande’, logo na sua
primeira temporada no WorldTour, e garante à Lusa estar “super
tranquilo” perante o desafio, assumindo que é “ótimo” ter sido
selecionado pela Bahrain Victorious. “Acaba
por ser motivador. É o meu primeiro ano e a equipa tem depositado
bastante confiança em mim. E isso também vai-me acabar por ajudar a
crescer”, defendeu, antes de identificar o seu objetivo para a 108.ª
edição da ‘corsa rosa’: “É 100% aprender e estar junto da equipa”.Depois
de dar nas vistas na última Volta a Portugal – andou seis dias de
amarelo, mas acabou como 10.º da geral -, Eulálio ‘saltou’ para a
primeira divisão mundial e, agora, tem pela frente a sua mais difícil
prova até ao momento. “O ano passado quase
que só fazia corridas que nem UCI [União Ciclista Internacional] eram,
corridas basicamente amadoras. De fazer meia dúzia de corridas
internacionais, corridas UCI, passo agora a fazer apenas quase corridas
WorldTour. Acaba por ser também um choque muito grande, mas tem sido bom
para continuar a minha evolução”, confessou.Em
entrevista à Lusa, durante uma escala rumo à Albânia, mais
concretamente a Durrës, onde na sexta-feira arranca a 108.ª Volta a
Itália, o jovem da Bahrain Victorious assumiu que no pelotão
internacional encontrou uma maneira “um pouco diferente de correr”, mas
também ciclistas de outro nível.“É passar
de um nível que quase nem me conhecem – e nem mesmo eu me conheço - a
passar só a fazer este nível de corridas […]. O início foi um choque um
bocado grande, e tem continuado a ser. Agora, [estou] sempre a correr
com o [Tadej] Pogacar, o [Juan] Ayuso, a acompanhar o Tiberi nas
corridas e também o Lenny [Martinez]”, avaliou.Neste
Giro, que termina em 01 de junho, em Roma, Eulálio vai apoiar o
italiano Antonio Tiberi, o líder único da equipa que, em 2024, foi
quinto na geral final da ‘corsa rosa’ e esta temporada foi terceiro no
Tirreno-Adriático. “O objetivo prioritário
é estar junto do Tiberi e com isso trabalhar para a equipa e aproveitar
para aprender. Mas claro que gostava de ter a oportunidade de ir duas
vezes para a fuga, ou três, também para ver do que sou capaz”,
reconheceu à Lusa.Para o jovem português, chegar ao final do Giro, sabendo que deu tudo de si, já seria um bom desfecho para a sua estreia. “Sem
pensar no resultado, tanto vitórias, como em fazer top 20 ou 50. Isso
para mim não vai interessar nada, porque estou mesmo 100% ligado em
ajudar a equipa. E, depois, quando tiver de desligar e perder meia hora,
não tem mal nenhum”, notou.Como
principais adversários de Tiberi, o ciclista da Bahrain Victorious
aponta Primoz Roglic (Red Bull-BORA-hansgrohe), o campeão de 2023, e
Juan Ayuso, assim como Adam Yates, companheiro do promissor espanhol na
UAE Emirates. Nesta ‘corsa rosa’, Eulálio
acredita que todas as etapas serão importantes, ao contrário daquilo a
que estava habituado em Portugal.“Sabia
que aquela etapa ia ser dura, mas, depois, quando era uma etapa plana,
acabava por ser mais tranquila. Aqui, quando é uma etapa plana, acaba
por ser quase ainda mais dura do que uma etapa montanhosa. Porque existe
vento, existem os ‘abanicos, e acaba por ser quase uma etapa tão ou
mais dura do que uma etapa montanhosa”, justificou.Único luso na edição que liga Durrës a Roma, o figueirense lamenta a falta de companhia nacional.“Pensava
que o Rui Costa iria estar presente, e acabava por ser bom. Acabava por
ter companhia algumas vezes também, para falar um pouco português,
porque vou estar praticamente um mês a falar italiano, espanhol,
inglês”, concluiu o 15.º classificado do Tour Down Under.