Afastamento dos EUA teve efeito de aproximar UE do Reino Unido e Canadá
Hoje 16:16
— Lusa/AO Online
O
distanciamento entre os aliados da Europa e os Estados Unidos (EUA),
desde o início da atual administração do Presidente norte-americano
Donald Trump, em janeiro de 2025, teve “efeitos positivos”, já que
permitiu uma “evidente aproximação da União Europeia (UE) com o Reino
Unido e também com o Canadá”, considerou Paulo Rangel no Foro La Toja –
Vínculo Atlântico, evento que decorre em Lisboa.Além
disso, acrescentou, esse arrefecimento das relações “obrigou a Europa a
tomar consciência da sua própria responsabilidade, como os americanos
advogam há muitas décadas e sobretudo nos últimos anos”.Apesar
destes pontos positivos, o chefe da diplomacia portuguesa defendeu que a
relação com os EUA deve ser mantida e trabalhada, já que “é essencial à
definição da política externa” dos países europeus e da UE.“Os
países europeus dispõem dos recursos para tomar conta da sua defesa,
ainda que, por escolha, o façam e devam fazer em conjunto com os seus
aliados do outro lado do Atlântico”, afirmou.O
líder da política externa portuguesa salientou ainda que a posição de
Portugal e de Espanha relativamente aos Estados Unidos é diferente.“O
lugar da relação atlântica na equação dos dois países ibéricos não é
igual. Portugal é exclusivamente atlântico. A Espanha tem uma evidente
projeção atlântica, mas tem também uma presença mediterrânica e
continental”, disse Rangel.Atualmente, a
relação entre Espanha e a administração Trump atravessa um período de
grande tensão diplomática, devido sobretudo a divergências estratégicas e
militares em relação ao conflito com o Irão.O
Governo do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, recusou o uso de
bases militares em território espanhol e fechou o espaço aéreo a aviões
norte-americanos para ataques contra o Irão.Em
resposta, Trump declarou que queria suspender todas as relações
comerciais com a Espanha, classificando a atitude do país como
“terrível” e avançando com a ideia de suspender Madrid da NATO. Por
seu lado, Portugal optou por uma “colaboração leal” com Washington,
dando aos EUA uma “autorização condicional” para o uso da base aérea das
Lajes, nos Açores, e do espaço aéreo em missões que não visassem
ataques a infraestruturas civis do Irão.Rangel
lembrou que até com o mais antigo aliado de Portugal, o Reino Unido,
houve “momentos complicados”, recordando o episódio do “Ultimato
Britânico de 1890” - quando Lisboa foi obrigada a retirar da zona entre
Angola e Moçambique e pôr fim ao projeto colonial do ‘Mapa Cor-de-Rosa’
–, mas que isso não pôs em causa a manutenção da relação. Ainda
assim, o ministro dos Negócios Estrangeiros defendeu que a Europa deve
apostar “noutros vínculos atlânticos”, dando como exemplo o Mercosul
(Mercado Comum do Sul – composto por Argentina, Brasil, Paraguai e
Uruguai), “um mercado de 700 milhões de pessoas que constitui um
antídoto para as novas tentações protecionistas”.“Temos
de olhar para o Atlântico inteiro e não apenas para as latitudes do
norte”, disse, recordando que o Atlântico se alarga do Ártico ao
Antártico e defendendo apostas em regiões como a América do Sul e a
África.