Aeroporto de Faro com menor afluência na véspera da saída da 'lista verde' britânica
Covid-19
7 de jun. de 2021, 12:16
— Lusa/AO Online
Depois
de no sábado cerca de 10 mil turistas terem embarcado em Faro para
regressar ao Reino Unido, os dez voos marcados para a manhã de hoje
estavam com menor procura, mas havia, ainda assim, turistas concentrados
nas zonas de ‘check-in’, constatou na Lusa no local.Muitos
dos passageiros com quem a Lusa falou eram casais com filhos, cujos
voos estavam reservados para hoje, mesmo antes de conhecerem a decisão
do Governo britânico em retirar Portugal da ‘lista verde’, anunciada na
quinta-feira, já que as aulas são retomadas entre hoje e terça-feira,
após uma pausa letiva.É
o caso de Nick Hambridge, que tinha voo para Birmingham marcado para
hoje com a mulher e os três filhos, que classifica como “uma loucura”
que alguns turistas tenham de regressar mais cedo, considerando que é
“uma tristeza” para Portugal.O
turista acredita que daqui a três semanas, quando for feita nova
reavaliação, o corredor aéreo seja retomado de novo, considerando que a
segurança no Algarve é “muito similar” ao que encontra no seu país, com
as pessoas a usaram a máscaras no “exterior e na praia”.Também
Dean Barker, na fila para embarcar rumo a Manchester, afirma ter-se
sentido “100% seguro” e classifica de “estúpida” a decisão do Governo
inglês, já que os turistas “entram negativos [em Portugal] e saem
negativos” e “todos cumprem com as regras”, usando a máscara “até quando
caminham na piscina”.Numa
outra fila, Wendy Taylor aguarda com o marido o voo para a mesma cidade
e confessa que se sentiu “mais segura do que no Reino Unido”, já que
“não há quase casos no Algarve”, sublinhando que estão ambos “totalmente
vacinados” e que no decorrer da estadia todos cumpriram, as regras.“Terrível,
ridícula e sem sentido”, refere, aludindo à decisão do Governo
britânico, que deu “muito pouca antecedência” para o regresso e devia
ter dado um prazo maior para os turistas regressarem ao seu país de
origem, o que evitaria “cenas caóticas de regresso em massa”.A
turista aproveita para enumerar o número de testes à covid-19 que teve
de fazer: na Inglaterra, antes de viajar para o Algarve, e há dois dias,
quando teve de se deslocar ao aeroporto para fazer o teste rápido e ter
a certeza que os resultados estariam prontos a tempo de embarcar
calmamente. Dois dias depois de o casal chegar ao Reino Unido, terá de fazer outro teste rápido.Na
fila para o regresso a Londres está Avril Hicks, com duas netas, porém,
ainda aguarda um dos resultados dos quatro testes que tiveram de fazer.
“Fizemos os testes na sexta e ainda não sabemos hoje o resultado de um
deles”, lamenta.A
turista queixou-se da “falta de informação”e do facto de que ter tido
de pagar “85 euros por cada teste”, sublinhando que pouco lhe foi dito
no hotel, apenas para "ver uma aplicação" e para não deixar o teste para
fazer no aeroporto.Entretanto,
a filha chega com o resultado negativo e a sensação de alívio é visível
nos seus olhos, mas muda quando lhe indica que poderiam ter feito o
teste no aeroporto, a um custo mais baixo (30 euros) e com resultado em
40 minutos.Sentados
num banco e com um olhar apreensivo estão Olivia e o namorado, que
viajavam na terça-feira para Manchester, num voo que lhes custou “menos
de 25 libras”, mas como ela tem de trabalhar na terça-feira, não pode
"ficar a cumprir os 10 dias de isolamento em casa” e não quer “quebrar
as regras”.Anteciparam
a viagem para hoje num voo para Nottingham, que lhes custou “mais 800
libras” mas, menos de uma hora antes da partida, ainda aguardam o
resultado do teste à covid-19, condição essencial para poderem embarcar.“A
passagem de Portugal da lista verde para a amarela não pode acontecer
desta forma, é aborrecido e mexe com os planos de vida das pessoas”
afirma, algo angustiada.Ainda
nas filas de ‘check-in’, Jez Dix aguarda com a família o embarque para
East Midlands e afirma que o Governo britânico “deveria ter dado mais
tempo aos residentes de férias no estrangeiro para regressarem" e criado
“um período de dias para o fazerem já que estão todos testados”.A
decisão britânica de excluir Portugal da lista verde de viagens foi
tomada na quinta-feira e suscitou críticas do setor turístico, que se
preparava para um aumento das reservas e da procura de turistas
provenientes do Reino Unido, depois de, a 17 de maio, o Governo
britânico ter tomada a decisão contrária, abrindo as viagens com destino
a Portugal.