Aeronaves com destino a Israel escalaram nos Açores e Governo quer apurar responsabilidades
2 de out. de 2025, 17:57
— Lusa/AO Online
Em
comunicado, o MNE realça que "a escala e sobrevoo de três aeronaves
americanas para entrega a Israel”, ocorrida a 22 de abril, não
significa que “tenha sido estritamente violado o compromisso assumido
pelo Ministério ou pelo Governo nesta matéria”, referindo-se ao embargo à
venda de armas e passagem pelo território nacional de material militar
para Israel, determinado pelo executivo de Luís Montenegro.Esta
operação teve “comunicação e autorização tácita (isto é, por decurso do
prazo respetivo)”, indica o comunicado do ministério tutelado por Paulo
Rangel.A comunicação, esclarece, tinha já
parecer favorável da AAN (Autoridade Aeronáutica Nacional), que depende
do Ministério da Defesa Nacional.“Dada a
sensibilidade da questão, esta comunicação deveria ter sido reportada ao
gabinete do ministro [Paulo Rangel] antes de esgotado o prazo de
autorização”, salienta ainda. Esta
situação configurou uma “óbvia falha de procedimento, contrária às
instruções internas dadas pelo ministro de Estado e dos Negócios
Estrangeiros, de resto, publicamente conhecidas”, acrescenta a nota do
Palácio das Necessidades.O ministério vai
avançar com “um apuramento de responsabilidades e modificação de
procedimentos de modo a evitar que tais falhas processuais voltem a
ocorrer, especialmente em processos de autorização tácita”.O
caso foi levantado na passada segunda-feira pelo jornal espanhol El
Pais, que noticiou que teria havido passagem de aviões israelitas pela
Base das Lajes, na ilha Terceira, nos Açores. “Tais
sobrevoos carecem de comunicação e autorização (as mais das vezes
tácita) do Estado português, ao abrigo da autorização anual permanente.
Não tendo nem o ministro nem o seu gabinete qualquer conhecimento ou
informação de tais sobrevoos, como seria suposto atenta a natureza do
tema, o ministro determinou imediatamente uma averiguação para saber se
tais sobrevoos tinham ocorrido e por que razão não tinham chegado ao seu
conhecimento”, explica o MNE.Normalmente, esclarece, “o gabinete do ministro nunca é informado dessas comunicações e autorizações tácitas”. Após esta averiguação inicial, “foi esclarecido que nenhuma aeronave israelita ou com destino a Israel tinha sido autorizada”.Segundo
o MNE, o jornal Expresso fez hoje uma nova pergunta sobre o tema, pelo
que “foi determinada uma segunda averiguação exaustiva”, que revelou
então as novas informações.