Advogados preparam processo judicial contra quarentena em hotéis no Reino Unido
Covid-19
9 de mar. de 2021, 16:15
— Lusa/AO Online
Os
advogados do escritório internacional PGMBM entendem que a medida, em
vigor desde 15 de fevereiro, tem elementos de ilegalidade, nomeadamente a
necessidade de pagamento de 1.750 libras (2.040 euros), que pode estar a
violar o direito internacional e os direitos humanos, em especial das
crianças."Esta medida extraordinária
parece ter sido introduzida sem qualquer consideração adequada sobre
como a sua aplicação desproporcional e igual para todos penaliza
cidadãos e residentes vulneráveis”, afirmou Tom Goodhead, advogado e
sócio do escritório, que tem presença no Reino Unido, Brasil e Estados
Unidos."Acreditamos que o regime de custos
exorbitantes imposto pelo Governo é chocante e ilegal, sem provisões
adequadas para aqueles que têm uma necessidade urgente de viajar",
disse. O Reino Unido proibiu as viagens de
33 países, maioritariamente africanos e sul-americanos, exceto para
nacionais ou residentes, para reduzir o risco de importação de variantes
do coronavírus que sejam mais infecciosas e resistentes às vacinas,
como aquelas descobertas no Brasil e África do Sul. Portugal
é o único país europeu nesta “lista vermelha”, pelo que os viajantes
que cheguem ao Reino Unido provenientes de Portugal são obrigados a
cumprir quarentena de 10 dias num hotel designado pelas autoridades e
pagar o custo de 1.750 libras (2.030 euros).Embora
os advogados reconheçam a importância de proteger a saúde pública,
acreditam que estas restrições são ilegais porque violam regras da
Organização Mundial da Saúde, que proíbem custos sobre a quarentena, e
porque desrespeitam legislação britânica pois causa entraves aos
residentes no Reino Undo para entrarem no país. Questionam
também a validade da medida no âmbito da Convenção Europeia dos
Direitos Humanos e outras leis de proteção das liberdades fundamentais,
alegando que “as crianças são desproporcionalmente afetadas”. O
escritório disse que enviou uma carta urgindo o Governo a remover os
custos e a anunciar alterações à política até 15 de março, senão
pretende pedir aos tribunais uma revisão judicial que possa abrir
caminho a um processo nos tribunais. Um
dos dois clientes que o PGMBM representa atualmente é uma jovem
luso-britânica de 16 de anos, que se encontra em Portugal e está
impossibilitada de regressar ao Reino Unido e às aulas que recomeçaram
na segunda-feira, adiantou um porta-voz à Lusa.Os
advogados, que trabalham regularmente em processos civis contra grandes
empresas multinacionais, estão a angariar fundos numa plataforma de
financiamento coletivo (crowndfunding), tendo já garantido perto de
metade das 20 mil libras (23,3 mil euros) estipuladas como necessárias
para lançar o caso. Entretanto, uma
petição junto do Parlamento britânico para convencer o Governo britânico
a retirar Portugal da “lista vermelha” de países sujeitos ao regime de
quarentena em hotéis designados lançada na semana passada já conseguiu
mais de 14 mil assinaturas, ultrapassando a barreira das 10 mil que
implica uma resposta do Executivo.Embora
admita que a composição da “lista vermelha” de países de risco possa ser
alterada, o Governo britânico afirmou anteriormente que não pretende
alterar as regras atuais antes de 17 de maio, após avaliar um estudo com
recomendações para o restabelecimento seguro de viagens internacionais.