Advogada de Rendeiro vai propor que julgamento da extradição seja em junho
BPP
27 de jan. de 2022, 11:33
— Lusa/AO Online
"Esperamos
ter cópias dos documentos [de extradição], de volta de Portugal, a 01 de
abril", referiu aos jornalistas à porta do tribunal a advogada June
Marks.A defesa de João Rendeiro e o
ministério público sul-africano mantiveram hoje um encontro antes de o
ex-banqueiro ser novamente presente a tribunal em Verulam, arredores de
Durban."Como cidadão português na África
do Sul, [João Rendeiro] tem todo o direito constitucionalmente de
questionar tudo. A lei diz que a África do Sul não pode extraditá-lo
para Portugal se não tiver um julgamento justo. Acho que os julgamentos
[em Portugal] foram injustos", disse June Marks.A advogada disse ainda que pretende que o decorrer do processo seja feito com recurso a diligências via Internet.Entretanto,
avançou que pretende apresentar a tribunal um segundo pedido de
liberdade sob caução - ao mesmo tempo que tenta um recurso do primeiro
pedido -, provavelmente em fevereiro."Eu quero tirá-lo dali para fora", resumiu.Para
maio, acrescentou, deverá ser agendado um período de escolha de
testemunhas, incluindo de Portugal, com as quais pretende depois alegar
em tribunal que João Rendeiro foi "injustamente" julgado à revelia.Tendo
em conta as condições de saúde e queixas anteriores da defesa, o
magistrado que dirige o processo terá admitido transferi-lo para uma
cela onde estivesse sozinho, mas o próprio ex-banqueiro recusou,
preferindo estar junto de pessoas que falam português, contou a
advogada, reiterando que está melhor de saúde.June
Marks disse ainda que o tribunal errou ao deter provisoriamente João
Rendeiro, justificando que a Convenção Europeia de Extradição protege
idosos e grávidas, estabelecendo que não devem ser presos, mas sem
referência a limites de idade.João Rendeiro vai completar 70 anos a 22 de maio.O
ex-presidente do BPP João Rendeiro chegou a tribunal num carro celular
pouco depois das 09h00 (07h00 em Lisboa), hora habitual de chegada de
reclusos e início de diligências no Tribunal de Verulam.Tal
como na última semana, o ex-banqueiro saiu do carro sob forte escolta
policial, diferente da que era feita com outras viaturas.Às 12h20 (10h20 em Lisboa) aguardava-se ainda pelo início da sessão marcada para hoje.