Condecorado
pelo Presidente da República em junho com a Grã-Cruz da Ordem de
Camões, Adriano José Alves Moreira nasceu em Grijó, Macedo de
Cavaleiros, em 06 de setembro de 1922.Ex-membro
do Conselho de Estado indicado pelo CDS-PP, Adriano Moreira teve um
percurso académico e político dividido entre dois regimes, tendo sido
ministro do Ultramar no Estado Novo, de 1961 a 1963, e presidente do
Centro Democrático e Social (CDS) em democracia, de 1986 a 1988.Professor
universitário com dezenas de obras publicadas, fortemente ligado ao
atual Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP), que
dirigiu e ajudou a reformar antes do 25 de Abril, foi também deputado,
entre 1980 e 1995, e vice-presidente da Assembleia da República no seu
último mandato parlamentar."A minha vida
foi a escola, sobretudo. A intervenção política foi mais por obrigação
cívica", afirmou Adriano Moreira, numa entrevista à agência Lusa, em
2012.Adriano José Alves Moreira nasceu em
Grijó, Macedo de Cavaleiros, no distrito de Bragança, a 06 de setembro
de 1922, filho de António José Moreira, que foi subchefe da Polícia de
Segurança Pública (PSP) no porto de Lisboa, e de Leopoldina do Céu
Alves.Em Lisboa, morou em Campolide,
estudou no Liceu Passos Manuel e licenciou-se em Ciências
Histórico-Jurídicas pela Faculdade de Direito de Lisboa, em 1944.
Recém-formado, começou a exercer a advocacia e o seu envolvimento num
processo contra o então ministro da Guerra, Fernando dos Santos Costa,
valeu-lhe uma detenção.No Aljube, de onde
foi libertado passados cerca de dois meses, conheceu Mário Soares: "Até
então, só o conhecia de nome. Era um jovem que muita gente apreciava,
porque tinha uma certa alegria e também porque era muito determinado e
consistente para a idade. Mas defendíamos posições inteiramente
contrárias", relatou, citado pela Visão, em 1995.Entretanto,
ingressou no corpo docente da antiga Escola Superior Colonial, que
passaria a Instituto Superior de Estudos Ultramarinos - o atual ISCSP,
pelo qual se doutorou, assim como pela Universidade Complutense de
Madrid - e que, com a sua intervenção, seria integrado na Universidade
Técnica de Lisboa. A sua tese "O Problema
Prisional do Ultramar", editada em 1954, foi premiada pela Academia das
Ciências de Lisboa. Entre 1957 e 1959, Adriano Moreira fez parte da
delegação portuguesa às Nações Unidas: "Aí pude ouvir pela primeira vez
em liberdade as vozes dos povos que eram tratados como mudos ou como
dispensáveis. E isso mais avivou a minha ideia de que tínhamos de
transformar completamente o ensino".António
de Oliveira Salazar chamou-o então para o Governo, primeiro para
subsecretário de Estado da Administração Ultramarina, em 1960, e depois
para ministro do Ultramar, em 1961. Estalavam as primeiras revoltas em
Angola contra a colonização portuguesa.Segundo
o próprio Adriano Moreira, Salazar convidou-o para que pusesse em
prática um conjunto de reformas de que falava nas suas aulas, mas
posteriormente pediu-lhe para mudar de política e a sua resposta foi:
"Vossa excelência acaba de mudar de ministro"."Fui
ministro de Salazar, mas fui o ministro que fui: revoguei o Estatuto do
Indigenato e aboli as culturas obrigatórias nas colónias", disse ao
Expresso, em 1983.Quando deixou o Governo,
em 1963, voltou ao ensino e casou-se em 1968 com Mónica Isabel Lima
Mayer, com quem teve seis filhos, António, Mónica, Nuno, Isabel, João e
Teresa. Foi presidente da Sociedade de Geografia.Após
o 25 de Abril de 1974, foi saneado das funções oficiais e esteve
exilado no Brasil, onde foi professor na Universidade Católica do Rio de
Janeiro.Em 1980, regressou à política
ativa, como candidato a deputado nas listas da Aliança Democrática (AD).
Filiou-se no CDS, que acabaria por liderar, entre 1986 e 1988, e
continuou deputado até 1995.Em 2014,
Adriano Moreira foi uma das 70 personalidades que defenderam a
reestruturação da dívida pública como única saída para a crise.