Adolescentes portugueses entre os que mais usam ecrãs ao fim de semana na UE
Hoje 17:08
— Lusa/AO Online
Segundo
este Eurobarómetro, os adolescentes portugueses inquiridos, entre 13 e
18 anos, dizem estar cerca de 6,7 horas à frente de telemóveis,
‘tablets’, computadores, televisões ou consolas durante o fim de semana,
o quarto valor mais elevado em toda a União Europeia (UE), semelhante
ao registado em França, Espanha, Roménia e Letónia.A
média europeia é de 6,1 horas e o valor de Portugal só é superado na
Suécia (7,3 horas), Chéquia (7,0) e Polónia (6,8). O país da UE onde os
adolescentes usam menos ecrãs ao fim de semana é Chipre, com 4,3 horas.Instados
a fazer uma avaliação sobre o tempo que os filhos gastam à frente de
ecrãs, 40% dos pais portugueses consideram que é “demasiado elevado” –
abaixo da média europeia de 44% –, 37% afirmam ser um “tempo adequado” e
16% que é “muito pouco”.Já interrogados
se consideram que os ecrãs têm um impacto positivo ou negativo na vida
dos adolescentes, 62% dos pais portugueses afirmam ser negativo – a
segunda taxa mais elevada em toda a UE, apenas ultrapassada pela Grécia
(66%).Esta avaliação dos pais contrasta
com a dos adolescentes portugueses: só 34% consideram que a utilização
de ecrãs é nociva, o sexto valor mais elevado no bloco. Outros 34%
estimam que a utilização de ecrãs “não é positiva nem negativa”,
enquanto 31% consideram-na positiva.No
entanto, mais de um em três (41%) admite que, nos últimos 30 dias, se
sentiram “cansados ou sobrecarregados”, 38% têm “dificuldade em
concentrar-se”, 36% tiveram dores de cabeça e 33% cansaço nos olhos.A
principal preocupação dos pais portugueses quanto à utilização de ecrãs
pelos seus filhos prende-se com a exposição a conteúdos inapropriados
ou prejudiciais (79% manifestam-se preocupados com essa possibilidade),
seguida da possibilidade de serem contactados por desconhecidos (72%) e
do impacto que terá no sono (64%).Sobre
quais acham que são as melhores medidas que podem ser introduzidas para
garantir o bem-estar dos seus filhos ‘online’, a maioria dos pais
portugueses (57%) defende limites ou restrições consoante a idade,
enquanto 54% pedem uma melhor aplicação das regras atualmente em vigor e
46% mais campanhas de informação destinadas aos jovens.Essas
taxas baixam quando se questionam os adolescentes: 49% são favoráveis a
restrições de idade, 47% a uma melhor aplicação das regras e 46% a mais
campanhas de informação.Interrogados
especificamente sobre uma medida de proibição das redes sociais como a
que tem sido aplicada na Austrália, os adolescentes portugueses estão
entre os mais céticos da UE: 41% consideram que seria positivo para o
seu bem-estar mental – uma taxa superada noutros 15 Estados-membros –,
38% afirmam que não teria um impacto positivo nem negativo e 20%
manifestam-se contra.A nível da média UE,
os adolescentes gastam 4,5 horas durante a semana à frente de ecrãs e
6,1 horas ao fim de semana. Cerca de 14% dos adolescentes relatam estar
diariamente mais de 10 horas à frente de ecrãs.Este
Eurobarómetro foi divulgado no dia em que se realiza a última reunião
do painel especial sobre a segurança das crianças ‘online’, criado pela
presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, sobre medidas que
podem vir a ser implementadas, incluindo uma eventual restrição na
utilização de redes sociais por menores.O
Eurobarómetro baseia-se em entrevistas feitas entre 30 março e 16 de
abril a mais de 26 mil adolescentes e quase 13 mil pais em toda a União
Europeia (UE). Em Portugal, foram entrevistados mil adolescentes e 500
pais.