Administração quer redimensionar HDES de Ponta Delgada e criar hospital do futuro
5 de mai. de 2025, 17:06
— Lusa/AO Online
Numa
sessão evocativa sobre o incêndio que assolou o HDES a 4 de maio de
2024, a presidente do conselho de administração do hospital disse querer
“deixar não apenas uma mensagem de confiança, mas de esperança” no
futuro do maior hospital dos Açores.“O
hospital não é só reparar ou reorganizar, é também redimensioná-lo para
um projeto de hospital de futuro. Queremos que seja capaz de
corresponder aos melhores tratamentos e mais diferenciados cuidados de
saúde para mais de 25 anos”, afirmou Paula Macedo em declarações aos
jornalistas.A presidente da administração
defendeu a importância de dar um “novo alento ao futuro” do HDES e
assegurou que atualmente está a decorrer a “fase de avaliação do
programa funcional” final.“Pedimos a duas
empresas que nos fizeram dois planos funcionais. Esses planos funcionais
têm uma leitura muito densa e técnica, houve necessidade de pedir às
próprias empresas para torná-los uma leitura mais acessível. Houve esse
compasso de espera que atrasou, seguramente", admitiu.Questionada
sobre possíveis atrasos no prazo, Paula Macedo reiterou que a intenção é
lançar o projeto da obra até ao final do primeiro semestre, mas remeteu
mais esclarecimentos para a secretária regional da Saúde.“O
objetivo aqui é trazer algo de robusto e bem fundamentado com
auscultação de toda a área clínica e não clínica e poder usar essa
matéria para projetar o hospital futuro”, reforçou.A
responsável pelo HDES escusou-se, contudo, a justificar a opção pela
construção de um hospital modular e a não reabertura do serviço de
urgência, lembrando que vai ser ouvida a 14 de maio na comissão
parlamentar de inquérito dedicada à resposta ao incêndio no HDES.“Acho
que não é o dia. O dia hoje é evocar com reconhecimento e agradecimento
a todos os que nos ajudaram. É isso que queria deixar como mensagem com
confiança e esperança, os nossos utentes podem contar sempre connosco”,
sublinhou.A propósito dos atrasos nas
cirurgias e exames diagnósticos, Paula Macedo lembrou os impactos
causados pela suspensão da atividade clínica e prometeu uma “resposta
breve” para os utentes afetados.A
presidente da administração adiantou, também, que o HDES vai “reforçar a capacidade” do
bloco operatório, voltando a ter seis salas, o mesmo número que tinha
antes do incêndio.Na sessão, Paula Macedo
elogiou os profissionais e as instituições que ajudaram na resposta ao
incêndio de 4 de maio de 2024, que obrigou à transferência de 333
doentes.A iniciativa contou ainda com uma
intervenção sobre resposta a catástrofes, pelo antigo secretário da
Saúde da Madeira Pedro Ramos, na qualidade de especialista em Gestão de
Catástrofe.Na sexta-feira, a secretária
regional da Saúde, Mónica Seidi, adiantou à Lusa que o Governo dos
Açores vai criar uma comissão de análise e de acompanhamento para
definir o programa funcional final para a recuperação do HDES.A titular da pasta da Saúde disse que a intenção é, no primeiro semestre do ano, “pelo menos lançar a fase do projeto”.No
sábado, também em declarações à Lusa, o presidente do Governo dos
Açores (PSD/CDS-PP/PPM), José Manuel Bolieiro, prometeu transformar a
unidade num “hospital novo”, mas rejeitou fazer uma intervenção “em cima
do joelho”.