Administração do HDES garante ter tido decisão "correta" nos problemas informáticos
30 de nov. de 2021, 10:33
— Lusa/AO Online
“Foi uma atitude
correta. Foi uma atitude de risco, mas tornou-se eficaz. E voltaríamos a
tomá-la”, afirmou Cristina Fraga, rejeitando que a situação tenha
provocado um caos no Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), como
apontou esta manhã o antigo diretor de informática.A
responsável falava na reunião da Comissão Especializada Permanente de
Assuntos Sociais da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos
Açores, no âmbito de audições requeridas pelo grupo parlamentar do Bloco
de Esquerda (BE) que justificou as audições “com notícias que surgiram a
partir de finais de maio relacionadas com os problemas informáticos
surgidos no Hospital, que geraram perturbação no próprio funcionamento”
da maior unidade de saúde dos Açores.A 24
de junho, o Governo dos Açores informou ter sido detetada "uma
tentativa de intrusão externa no sistema informático" do Hospital de
Ponta Delgada, pelo que foi acionado um plano de contingência.A 22 de julho, o conselho de administração (CA) do Hospital emitiu uma
nota onde referia que “os pormenores sobre o ataque informático” de que
foi alvo a maior unidade de Saúde dos Açores “não podem ser divulgados
enquanto estiverem em investigação”.Ouvida na Comissão Especializada Permanente de Assuntos Sociais, a
presidente do conselho de administração do Hospital de Ponta Delgada
sublinhou que a decisão de “isolar informaticamente o Hospital do
ciberespaço com a restante rede do exterior e a restante rede do Governo
Regional foi decidida pela secretaria das Obras Públicas e
Comunicações, a direção regional de Saúde e o conselho de administração”
da maior unidade de saúde dos Açores.E,
acrescentou, pelo contrário “há uma única pessoa que é responsável pelo
serviço de informática do Hospital do Divino Espírito Santo que tem uma
opinião contrária a informar que está tudo estabilizado”. “Houve
sim um ciberataque. Isso é inquestionável”, vincou Cristina Fraga,
adiantando "não foram reveladas as motivações, nem feito nenhum resgate,
dado o pronto isolamento" do Hospital "da internet".A
responsável assinalou ainda que a decisão do conselho de administração
“foi a bem do interesse do Hospital e do serviço público”, garantindo
que o desligamento total dos sistemas informáticos “não” originou
bloqueio de equipamentos vitais.“Se não
fosse isolada a estrutura de segurança da rede esta continuaria exposta a
outro ciberataque, porque não havia segurança da rede”, sustentou
Cristina Fraga, apontando que o ex-diretor de informática do Hospital do
Divino Espírito Santo, na ilha de São Miguel “desvalorizou a situação,
minimizou” o problema.Aos deputados a
responsável garantiu que “o foco” do conselho de administração do
Hospital “é reduzir as listas de espera tanto na área cirúrgica como na
área médica” e “melhorar a qualidade assistencial dos açorianos”.Ouvido
esta noite na mesma Comissão, o secretário regional da Saúde e Desporto
disse que a questão do ataque informático foi "um processo tutelado
pela secretaria regional das Obras Públicas e Comunicações", não lhe
cabendo "manifestar opinião".Clélio
Meneses disse que relativamente ao Hospital de Ponta Delgada, está-se
perante uma instituição de saúde “de dimensão e dinâmicas muito
complexas”, tendo em conta “o público que abrange e o número de
funcionários".Referiu que o executivo
açoriano de coligação PSD/CDS-PP/PPM se deparou na unidade de saúde “com
um conjunto de problemas e, sobretudo, com a necessidade de implementar
medidas que dessem uma resposta efetiva às necessidades dos utentes".O
titular pela pasta da Saúde nos Açores referiu que "em termos de
consultas, de meios complementares de diagnóstico e terapêutica e
cirurgias há um grande avanço", assim como na contratação de mais
profissionais de saúde, indicando ainda que vai "começar no próximo ano"
uma "intervenção de fundo" no edifício do Hospital."Tem havido diálogo e grande motivação para resolver problemas no Hospital de Ponta Delgada", assegurou. A
Comissão aprovou ainda, esta noite, por unanimidade, um requerimento do
PSD que propôs a audição da responsável do Governo Regional pelas
Comunicações.