Adiado julgamento de advogada acusada de abuso de confiança nos Açores
7 de fev. de 2019, 16:22
— Lusa/AO Online
A
advogada está acusada de ter ficado com parte do valor da indemnização
dos seus clientes, num processo que envolve três pescadores do Pico
abalroados em 2004 por um navio da National Geografic.Os
pescadores, que foram resgatados, viriam a ser indemnizados pelo
armador, mas a advogada que os defendia terá ficado com grande parte do
dinheiro.O
advogado Manuel Costa, que representa um dos lesados, adiantou aos
jornalistas que a advogada da arguida não compareceu e apresentou uma
“justificação de não comparência que não foi aceite pela juíza”.O
tribunal requisitou então um advogado oficioso, que se apresentou esta
manhã em tribunal, “mas como não tinha conhecimento do processo pediu
mais uns dias para estudar o processo para poder fazer a defesa com
consciência da arguida”, tendo então o tribunal adiado o julgamento para
dia 21, explicou Manuel Costa.A
arguida não compareceu hoje de novo em tribunal, alegando, em
requerimento, estar “em depressão profunda” e que, "a conselho médico,
apenas pode realizar pequenos julgamentos".O
advogado Manuel Costa lamentou que este processo "já corra há muito
tempo" e disse não acreditar que este seja o último adiamento.No
caso do lesado que representa, Manuel Costa sustentou que o seu cliente
"ainda não recebeu nada do que tinha direito", num valor de cerca de 60
mil euros, indemnização que "a advogada não pagou".“Há
aqui muita coisa ainda para se discutir. Ela [a arguida] recebeu cerca
de 160 mil euros do representante das companhias de seguro
norte-americana e suíça que pagaram as devidas indemnizações a que foram
condenados pelo acórdão da Relação de Lisboa”, sustentou.Já
o advogado Mário Garcia Pereira, que representa outros lesados neste
processo, disse esperar que “à terceira tentativa” se possa iniciar o
julgamento para que “seja feita o mínimo de justiça” já que os seus
clientes “esperam pelas indemnizações desde 2012”.Mário
Garcia Pereira apontou que os seus clientes "apenas receberam" da
arguida "45 mil euros", quando a indemnização "rondaria os 200 mil
euros".O
advogado referiu que os seus clientes "vivem no Pico com dificuldades" e
"não sabem se algum dia vão ver" o dinheiro que lhes é devido.Na
primeira audiência de julgamento, que estava agendada para 28 de
janeiro, a juíza informou que foi apresentado um requerimento da arguida
no próprio dia do julgamento, a indicar a troca de defensor.Contudo,
o novo representante da defesa da advogada solicitou um prazo, no
mínimo de 30 dias, para estudar o processo, o que a juíza indeferiu e
marcou o início para hoje.A arguida também não compareceu na primeira audiência de julgamento.