Acusação requer que deputado do Chega fique proibido de exercer funções com menores
6 de fev. de 2025, 17:40
— Lusa/AO Online
O despacho de
acusação contra o dirigente do Chega Nuno Pardal Ribeiro, de dois crimes
de prostituição de menores agravados, foi noticiada pelo jornal
Expresso e o político já assumiu os atos, tendo-se demitido da
vice-presidência da distrital de Lisboa do partido, depois de renunciar
ao mandato de deputado municipal em Lisboa.De
acordo com o jornal Expresso, os dois crimes de que Nuno Pardal está
acusado pelo MP foram cometidos contra um rapaz de 15 anos, que conheceu
no Grindr, uma aplicação usada para convívio entre homossexuais.Entretanto,
a Procuradoria-Geral da República (PGR) publicou na sua página na
internet que o MP deduziu acusação, perante tribunal singular, contra
dois arguidos, de 76 e 54 anos, pelo crime de recurso à prostituição de
menores agravado, sem citar nomes. O
primeiro arguido encontra-se indiciado pelo crime na forma consumada e o
segundo de dois crimes, um na forma consumada e o outro na forma
tentada, sendo que fonte ligada ao processo admitiu à Lusa ser este
último o dirigente do Chega.Segundo a
publicação da PGR, os factos ocorreram em 2023. Em ambos os casos, o
assistente, com 15 anos de idade à data, conheceu os arguidos na
aplicação Grindr e combinou encontros com estes. No
decurso dos encontros – um, no dia 12 de julho, com o primeiro arguido e
outro, no dia seguinte, com o segundo arguido – o jovem de 15 anos
informou previamente os dois arguidos da idade e manteve com estes
relações sexuais a troco de dinheiro, refere a nota da PGR, adiantando
que o segundo arguido ainda voltou a tentar contactar o jovem em
setembro desse mesmo ano com o propósito de marcar um novo encontro.“Os
arguidos sabiam que o assistente tinha 15 anos, agiram sempre de forma
livre, voluntária e consciente, bem sabendo que a sua conduta era
proibida e punida por lei penal”, indica.Na
acusação foi ainda requerida, para ambos os arguidos a pena acessória
de proibição de exercer profissão, emprego, funções ou atividades,
públicas ou privadas, cujo exercício envolva o contacto regular com
menores.A investigação foi dirigida pelo Ministério Público do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) do Núcleo de Cascais.Contactado
pela Lusa, o deputado municipal do Chega confirmou a notícia de que foi
acusado pelo Ministério Público de dois crimes de prostituição de
menores agravados, e indicou que iria pedir renúncia ao mandato
autárquico para “preservar a imagem do partido” e também para tratar da
sua defesa.Nuno Pardal Ribeiro alegou que
"os factos que estão descritos, alguns, ou seja, os mais graves, não
correspondem à verdade", mas recusou adiantar mais detalhes.O dirigente do Chega demitiu-se também da vice-presidência da distrital de Lisboa do partido.De
acordo com procurador Manuel dos Santos, do Departamento de
Investigação e Ação Penal (DIAP) de Cascais, citado pelo jornal
Expresso, "o arguido sabia que o assistente tinha 15 anos e era
sexualmente inexperiente", praticou sexo oral com o menor e, no fim,
enviou um código através do MbWay para que o adolescente pudesse
levantar 20 euros.O caso terá sido
denunciado à Polícia Judiciária pelos pais do menor depois de terem tido
acesso às mensagens do WhatsApp no telemóvel do filho.A
castração química de pedófilos foi uma das bandeiras defendidas pelo
Chega, proposta que apresentou mais do que uma vez desde que está
representado no parlamento.