Acusação quer penas entre 3 a 9 anos para as ex-auxiliares de Rabo de Peixe
Hoje 09:03
— Daniela Arruda
O quinto dia de julgamento das ex-auxiliares de educação da creche da
Casa do Povo de Rabo de Peixe aconteceu com as alegações
finais. O Ministério Público, a acusação e a defesa foram ouvidas:
Além de não poderem trabalhar com crianças, o Ministério Público pede pena efetiva para
as quatro; a acusação defende penas entre 3 a 9 anos, além de
indemnizações; enquanto a defesa considera que a culpa deve ser
diminuta.“É preciso ter formação para dar de comer? Fazer bolas na
boca, tiveram foi sorte de não morrer nenhum bebé”, disse o Ministério Público, numa
intervenção final cirúrgica que passou também por críticas à postura das
arguidas: “Vinham para aqui como se viessem para uma passagem de
modelos, para um filme. Algum arrependimento? Zero".Sobre as
testemunhas da defesa, na grande maioria pais, o Ministério Público não se mostrou
convencido. A uma mãe que defendia M, acusada de oito crimes de
maus-tratos, perguntou se o filho comia bem, a resposta foi “comia”, ao
qual retorquiu “era a sorte dele”. Contudo, considera que as crianças
que demonstram afeto pela arguidas desenvolveram uma espécie de síndrome
de Estocolmo, habituaram-se aos maus-tratos e passaram a gostar das
agressoras.Tendo em conta tudo isso: O Ministério Público pede que seja dada pena
efetiva às quatro: “Nunca tive de punir quatro arguidas tão cruéis”,
rematou. A acusação apresentou a linha temporal dos factos e
destacou o papel dos órgãos de comunicação social, sobretudo a
reportagem da TVI, que resultou em cerca de 250 mil interações nas redes
sociais.Foi ao encontro do Ministério Público e considera, também, que não há
arrependimento. Aliás, mencionou que está a decorrer uma ação no
Tribunal do Trabalho em que as quatro arguidas negam os factos e pedem
uma indemnização pelos danos materiais e morais.A defesa começou por
dizer que tem várias coisas entaladas na garganta, mas que a maior
delas é terem sido validados como provas os vídeos, além de ter
mencionado que “houve um desfile de 10 testemunhas de acusação” que não
vieram acrescentar nada de novo ao que já tinha sido mostrado nas
imagens, e que apenas repetiram o que já tinha sido visto. Para si,
demonstra que apenas debitaram o que viram e até acha estranho não haver
mais práticas além daquelas. Insistiu ainda na falta de formação e
que, por isso, as arguidas replicaram comportamentos que julgavam
normais. Pois, só perceberam que era crime quando foi feita acusação.
Apontou ainda para o excesso de crianças por sala.Mas, sobretudo,
defendeu que a culpabilização seja diminuta, que a
Casa do Povo de Rabo de Peixe
também deve ser
chamada a assumir as suas responsabilidades.As arguidas tiveram a
oportunidade de dar a sua última palavra, todas pediram desculpa e dizem
que compreendem a situação dos pais. A Cl, acusada de três crimes,
pediu desculpa também à sua filha, e admitiu que em casa também já tinha
posto o garfo na boca da menor, justificando “estava esgotada”. A Ma.,
acusada de 16 crimes, conta que não tinha noção de que os seus
comportamentos eram errados e que só lamenta que nunca a tenham chamado à
atenção ao longo dos seus 20 de trabalho.Enquanto as alegações
finais eram anunciadas, os pais que estavam a assistir choravam. A
atitude das famílias foi também reconhecida, tanto pelo Ministério Público como pela
acusação, descreveram o comportamento dos pais como exímio. O Ministério Público não
poupou o adjetivo “cruel” para descrever as quatro arguidas, e só
espera, assim como os pais das vítimas, que seja feita justiça no lugar
certo, em tribunal.Todos foram ouvidos, agora resta o veredicto. A sentença está marcada para o dia 21 de maio. Será que o número de arguidas pode passar para cinco?A
sessão começou pelo depoimento de uma testemunha da defesa, cunhada de
Ca. (uma das arguidas acusada de 17 crimes), que afirmou estar presente
no episódio em que Ma. amarrou um bebé à cadeira com uma toalha durante a
refeição. O objetivo era evitar que caísse ou que se levantasse, pois
“pouco a pouco ela estava em pé”, acrescenta.Segundo o seu relato, a
educadora também estava presente e teve conhecimento da situação.Durante
o depoimento, a testemunha desculpou os atos e justificou-os com o
facto de aquela criança ter autismo e ser irrequieta, não conseguir
permanecer sentada.Perante estas declarações, o magistrado
demonstrou-se incomodado e alertou-a para o direito a não responder a
questões que a pudessem comprometer, uma vez que o seu testemunho
poderia dar origem a uma denúncia contra si.