Acumulação de funções gera divergências entre deputada e parlamento
22 de jul. de 2025, 09:39
— Lusa/AO Online
Em
causa está a situação de Dora Valadão, deputada do PS eleita pelo
círculo eleitoral das Flores, que acumula, desde abril deste ano, o
cargo de vice-presidente da Câmara Municipal de Santa Cruz das Flores,
embora em “regime de não permanência”, e sem auferir qualquer vencimento
enquanto autarca, mas somente “senhas de presença”.O presidente da
CAPADS, o social-democrata Flávio Soares, enviou um ofício à deputada
socialista, na passada semana, a solicitar esclarecimentos adicionais
sobre este caso, recordando que o Estatuto Político Administrativo da
Região Autónoma dos Açores (EPARAA) “estabelece a incompatibilidade da
acumulação do cargo de deputado com os de presidente e vereador a tempo
inteiro, ou em regime de meio-tempo, numa câmara municipal”.O
diploma em causa, relacionado com as “incompatibilidades” e
“impedimentos” dos titulares de cargos políticos, determina no seu
artigo n.º 101, que as funções de presidente e vereador a tempo inteiro,
ou em regime de meio-tempo de câmara municipal, “são incompatíveis como
exercício do mandato de deputado”.Mas a parlamentar socialista em
causa, entende que o seu caso não configura qualquer incompatibilidade:
“sinceramente, acho que não estamos perante uma incompatibilidade, pela
simples razão de que sou vereadora em regime de não permanência, e como
eu, há outros colegas que estão nas mesmas condições”.Em declarações
à Lusa, Dora Valadão admitiu, porém, que foi nomeada vice-presidente da
Câmara Municipal de Santa Cruz das Flores e que substituiu o presidente
da autarquia, o socialista José Carlos Mendes, quando este esteve
ausente da ilha, por motivos de doença.“O meu presidente de Câmara,
infelizmente, esteve bastante doente, teve de se ausentar da ilha, e
nomeou-me vice-presidente. E eu tive de me aguentar sozinha, porque era a
única que fazia parte da lista [de candidatos], e que se encontrava em
condições de poder continuar, até que fossem nomeados outros”,
esclareceu Dora Valadão.A deputada socialista adiantou ainda que tem
em sua posse um parecer jurídico que confirma a legalidade na
acumulação destas funções e garante que irá reencaminhar o documento
para a CAPADS, para que a comissão possa ser esclarecida sobre esta
matéria.Confortado com estas explicações, o presidente da CAPADS
disse à Lusa que vai aguardar pela resposta de Dora Valadão, para só
depois se pronunciar sobre o assunto.Além de vereadora a tempo
interior e de vice-presidente da Câmara, a deputada do PS estava também
autorizada a substituir o presidente da autarquia, José Carlos Mendes,
bem como assumir várias competências, como “executar obras
poradministração direta” ou por empreitada, autorizar o pagamento de
despesas, assinar contratos em representação do município e até discutir
e preparar, com os departamentos do Governo e com as juntas de
freguesia, contratos de delegação de competências.