ACRA quer ver uma “verdadeira cultura de devolução da tara”

Hoje 09:45 — Filipe Torres

A Associação de Consumidores da Região Açores (ACRA) afirma que é necessário criar uma “verdadeira cultura de devolução da tara” e que as embalagens não devem ser vistas apenas como resíduos, mas como materiais com valor e possibilidade de reutilização e recuperação.Em declarações ao Açoriano Oriental, o secretário-geral da ACRA, Mário Reis, adianta que a associação defende a devolução obrigatória das embalagens desde 1998/99, muito antes da implementação do sistema Volta. Perante o novo sistema, a associação considera que este mecanismo representa a recuperação de um princípio que defende há décadas. Todavia, afirma que é necessário avaliar se o modelo funciona na prática na Região e que a devolução deve ser fácil, acessível e conveniente.Para o secretário-geral da ACRA, os 10 cêntimos de caução constituem um incentivo para o consumidor devolver a embalagem e recuperar, assim, o valor da tara. Ainda assim, afirma que o Volta não deve ser apenas uma máquina que devolve 10 cêntimos.  Mário Reis adianta que deve haver informação e educação ambiental, incluindo escolas, famílias, associações e comunidades.A associação salienta que não recebeu quaisquer queixas formais de consumidores dos Açores que permitam identificar um padrão de problemas.Na ótica da ACRA, há questões que devem ser levantadas: “Quanto custa efetivamente o sistema?”, “Quem suporta esses custos?”, “Quem gere o sistema?”, “Quem fornece as máquinas e o serviço?”, e “Quem beneficia economicamente da valorização dos materiais recolhidos”. A associação acrescenta que estas perguntas não constituem uma acusação, mas antes uma exigência de transparência relativamente aos custos.Mário Reis elenca como possíveis vantagens do Volta o aumento da recuperação de embalagens, diminuição de embalagens no espaço público e redução do desperdício. Contudo, salienta que isto dependerá de fatores como cobertura territorial,  facilidade de utilização, funcionamento de equipamentos, adesão dos consumidores e resultados efetivamente alcançados.Por fim, a ACRA realça que o sistema pode criar comportamentos inesperados, como a possibilidade de recolha de embalagens em contentores provocar a dispersão de outros resíduos. Acrescenta, ainda, que estes efeitos devem ser estudados com dados, sem culpar ou estigmatizar grupos sociais.