ACRA denuncia “provável abuso de posição dominante” nos combustíveis à Comissão Europeia
Hoje 08:59
— Nuno Martins Neves
Na nota de imprensa, enviada às redações, a ACRA denuncia
que o mercado de combustíveis nos Açores “não padece apenas de uma
posição dominante, padece de um bloqueio estrutural”.Isto porque,
assinala, “a posse exclusiva de tancagem ou armazenamento por um único
grupo privado constitui uma “Essential Facility”. Sem acesso neutro a
esta infraestrutura, a concorrência é tecnicamente impossível”, lê-se no
comunicado, sem nunca mencionar que se refere ao Grupo Bensaude.Em
causa está um “gargalo logístico”, apelida a ACRA, considerando que quem
controla o “gargalo”, “controla a entrada de qualquer concorrente no
mercado, exercendo um monopólio de facto que asfixia toda a cadeia de
valor”, desde transportes, agricultura, pescas e até ao custo de vida.Uma
situação que acontece, segundo a ACRA, por “omissão prolongada das
autoridades nacionais”, afirmando que houve uma “captura regulatória”.“Durante
três décadas, a AdC e os governos não ‘levantaram ondas’. Esta
imobilidade permitiu a cristalização de um abuso que, em qualquer outro
ponto da União Europeia, teria sido alvo de sanções severas”.Daí que
a ACRA tenha avançado com uma exposição à DG COMP, por considerar que,
“se os mecanismos nacionais falharam durante 30 anos, a Comissão
Europeia é o último garante da aplicação do Artigo 102.º do Tratado de
Funcionamento da União Europeia e do espírito do Artigo 349.º”, artigos
que procuram o equilíbrio entre a necessidade de assegurar uma
concorrência livre e justa no mercado interno e a necessidade de
reconhecer as limitações estruturais das Regiões Ultraperiféricas.Mas
o que propõe a ACRA?A associação de defesa dos consumidores não
procura uma “rutura punitiva”, mas sim uma “estabilização competitiva,
que seria assegurada pela declaração de utilidade pública da tancagem,
por parte do Estado, compensando o valor de mercado. “Esta é uma solução
técnica, à luz da União Europeia, e não política”, esclarece.Além
disso, propor que o custo da transição e sua manutenção seja diluído ao
longo do tempo “e integrado no caderno de encargos dos futuros
concursos”.O objetivo último será tornar o de nivelar o mercado,
tornando o custo da infraestrutura “transparente e igual para todos. O
atual monopolista poderá continuar a operar, mas terá de vencer pela
eficiência operacional e não pelo privilégio da posse do gargalo”.