ACRA alerta para “falsas promoções” na Black Friday
25 de nov. de 2024, 10:00
— Carolina Moreira
O presidente da ACRA (Associação de Consumidores da
Região Açores), Mário Reis, apela à “cautela” da população perante as
campanhas da Black Friday, que se assinala esta sexta-feira, dia 29 de
novembro, denunciando a existência de “falsas promoções” para induzir os
consumidores a realizar compras “impulsivas”.“É mais uma campanha
de marketing e os consumidores têm que ter muito cuidado, porque em
Portugal tem-se verificado que muitas vezes são falsas promoções. As
empresas aumentam os preços dos produtos semanas antes da Black Friday e
apresentam descontos irreais. É uma tática enganadora que viola a
confiança dos consumidores, para além de ir contra a legislação que
regula as promoções”, alerta Mário Reis.Em declarações à Rádio
Açores TSF, o presidente da ACRA explica que a Black Friday é uma
campanha de marketing importada dos Estados Unidos da América (EUA) que
decorre habitualmente na última sexta-feira de novembro, constatando
contudo que, há vários anos, muitas das marcas optaram por antecipar as
promoções, que já decorrem durante todo o mês, induzindo a compras
“impulsivas” que podem levar os consumidores ao “endividamento”.“A
pressão psicológica junto do consumidor conduz ao consumo impulsivo. Há
estratégias de marketing que têm em vista criar a sensação de urgência
que funciona como um cronómetro, um sensor de emergência e isso pode
levar ao endividamento dos consumidores”, alerta.Nesse sentido,
Mário Reis lamenta que, nos Açores, pouco ou nada se faça em defesa do
consumidor, criticando mesmo a atuação das autoridades competentes como a
Inspeção Regional das Atividades Económicas (IRAE) que “devia estar na
rua a levantar os respetivos atos de notícia”.“A inspeção económica
tem um papel quase apagado, não faz nada nesta área há anos. Era preciso
que a inspeção vigiasse os preços com maior cuidado e, chegados estes
momentos, tivesse elementos comparativos. A inspeção tem poderes para
isso, pode exigir a apresentação de faturas de venda, de compra, de
vários elementos que estão vedados a qualquer associação de apoio ao
consumidor”, frisa o presidente da ACRA, destacando ainda que deveria
ser a IRAE a “informar as pessoas” sobre os perigos destas campanhas.Mário
Reis constata também que apenas “pontualmente aparecem duas ou três
reclamações” junto da ACRA, verificando que nos Açores “não há o hábito
de denunciar” promoções e descontos duvidosos.Para o responsável
pela associação de defesa dos consumidores, a falta de fiscalização e de
denúncias tem permitido que campanhas como a Black Friday se estendam
para além das datas inicialmente previstas.