Açorianos são os que menos adiam grandes decisões financeiras no país

Hoje 15:29 — Filipe Torres

Os Açores surgem, a par da Madeira, como as regiões do país onde os consumidores demonstram menor tendência para adiar decisões financeiras de grande dimensão. Os dados constam do European Consumer Payment Report 2025 - Portugal, divulgado pela empresa de serviços de gestão de crédito Intrum, por ocasião do Dia dos Namorados. De acordo com a nota de imprensa, o estudo revela que 58% dos açorianos e madeirenses admitem adiar investimentos importantes - como a compra de habitação ou de automóvel -  devido ao receio face à situação económica, valor  inferior à média nacional, fixada nos 68%.A prudência financeira verifica-se de forma semelhante entre homens e mulheres, com 67% e 68%, respetivamente, a admitirem hesitação na tomada de decisões financeiras relevantes. No entanto, surgem diferenças quando se analisam os dados por faixas etárias. A prudência financeira verifica-se de forma semelhante entre homens emulheres, com 67% e 68%, respetivamente, a admitirem hesitação na tomada de decisões financeiras relevantes. Os mais jovens são quem mais adia investimentos de grande valor. Entre os consumidores da “Geração Z”, 78% revelam apreensão perante compras significativas, enquanto apenas metade dos “Baby Boomers” demonstra igual preocupação. Já as gerações “Millennial” e “X” apresentam níveis de hesitação próximos dos 70%.Segundo a nota, o cenário sugere que os mais novos sentem maior insegurança para avançar com projetos como a aquisição de casa própria, “talvez devido a rendimentos mais baixos ou à experiência recente de crises”, ao passo que as gerações mais velhas evidenciam maior estabilidade financeira.A composição do agregado familiar também influencia as decisões. Entre famílias com filhos, 71% dos inquiridos admite adiar investimentos de grande dimensão, comparando com 66% entre famílias sem crianças. Decisões travadas pelo receio económicoO relatório indica que 67% dos açorianos receiam mudar de emprego ou iniciar um negócio próprio devido ao atual contexto económico, valor superior à média nacional de 62%.A cautela é ligeiramente mais elevada entre as mulheres (64%) do que entre os homens (60%). Também os agregados com filhos revelam maior prudência na tomada de decisões que impliquem alterações significativas na vida profissional e financeira.Segundo Luís Salvaterra, diretor-geral da Intrum em Portugal, muitos casais não adiam planos por falta de vontade, mas sim por receio de não conseguirem sustentar financeiramente esses projetos. O responsável sublinha ainda que a instabilidade económica tem vindo a fragilizar a confiança necessária para avançar com decisões estruturantes, como a compra de habitação, mudanças de carreira ou investimentos familiares.Sobre o estudo europeuO Relatório Europeu de Pagamentos do Consumidor 2025 analisa a forma como os consumidores europeus gerem as suas finanças, enfrentam o aumento do custo de vida e se adaptam às mudanças económicas.  O estudo foi conduzido em agosto de 2025, envolvendo 20 mil consumidores de 20 países. Em Portugal, participaram 1000 inquiridos.