Açorianos entre os mais afetados quando o custo de vida sobe

Hoje 08:30 — Nuno Martins Neves

Sete em cada 10 açorianos revelam sentir dificuldades em pagar dívidas, quando o custo de vida dispara. Esta é uma das conclusões do estudo “ Relatório Europeu de Pagamentos do Consumidor 2025”, realizado em agosto passado a 20 mil consumidores de 20 países europeus, publicado pela Intrum, empresa líder mundial no setor de serviços de gestão de créditos na Europa, divulgado por ocasião do Dia Mundial do Consumidor, se que celebrou domingo.“O aumento do custo de vida continua a ser o principal fator por detrás das dificuldades financeiras das famílias portuguesas. Segundo a Intrum, 50% dos consumidores em Portugal que enfrentam dificuldades em pagar as suas dívidas e apontam o aumento dos preços de bens essenciais - como alimentação e energia - como a principal razão para esta situação”, lê-se no comunicado de imprensa enviado às redações.Se em Portugal, metade dos consumidores diz sentir-se pressionado pelo custo de vida mais caro, esse número sobe para os 71% nas regiões autónomas dos Açores e da Madeira, um valor significativamente acima da média nacional.Segundo o mesmo estudo, 43% dos portugueses endividam-se devido a despesas inesperadas, como emergências familiares ou despesas médicas, enquanto 34% apontam a estagnação dos seus salários ou rendimentos para as suas dívidas, uma vez que não acompanharam o aumento do custo de vida.“Apesar deste cenário, 77% dos consumidores em Portugal afirmam conseguir pagar todas as contas dentro do prazo, um valor ligeiramente acima da média europeia. Ainda assim, este indicador representa uma descida face aos 85% registados em 2024, sinalizando uma crescente pressão financeira sobre os orçamentos familiares”, refere o relatório.O estudo revela ainda que o aumento de custo de vida é um fator transversal a todo o país, mas as razões concretas para as dificuldades financeiras variam de região para região.“Por exemplo, na Madeira e Açores, apenas 29% dos consumidores que enfrentam dificuldades financeiras indicam despesas inesperadas como um dos principais motivos para o endividamento, evidenciando uma maior exposição a imprevistos financeiros, um valor bastante inferior ao registado, por exemplo, pelo Alentejo (82%)”, lê-se.Por outro lado, apenas 14% dos consumidores que residam nos dois arquipélagos refere como causa para o endividamento o facto do rendimento não acompanhar o custo de vida, um valor que, na Área Metropolitana de Lisboa é substancialmente superior, atingido os 56%.“Estes dados mostram que as causas da pressão financeira não são homogéneas no território, refletindo diferenças nas condições económicas e na capacidade das famílias para absorver choques financeiros”.