Açores vão sensibilizar IFAP para adaptar Sistema de identificação Parcelar
3 de mar. de 2022, 16:48
— Lusa/AO Online
"A Secretaria da Agricultura e do
Desenvolvimento Rural está a preparar uma exposição com vista a
demonstrar a realidade açoriana ao Instituto de Financiamento da
Agricultura e Pescas, IP (IFAP), tendo em conta a atualização do Sistema
de Identificação Parcelar (iSIP) que esta está a realizar, de modo a
permitir que a lei seja adaptada à região", lê-se numa nota publicada na
página na Internet do Governo Regional.Na
quarta-feira a Federação Agrícola dos Açores manifestou-se "preocupada"
com a atualização do sistema de identificação parcelar que o Instituto
de Financiamento da Agricultura e Pescas (IFAP) está a realizar,
alegando que "é muito difícil obter a documentação exigida".A
Federação solicitava à Secretaria Regional da Agricultura e
Desenvolvimento Rural o agendamento de uma reunião com o IFAP, para
"encontrar soluções que salvaguardem os interesses dos agricultores e as
especificidades regionais".Na nota hoje
publicada na página na Internet do Governo Regional, é revelado que o
departamento governamental com responsabilidade na área da agricultura
"já efetuou contactos com o Ministério da Agricultura" para
"sensibilizar para a especificidade da Região Autónoma dos Açores".A
Secretaria assegura que este tema "fará parte da lista de prioridades
agrícolas a agendar com a tomada de posse do novo Ministério da
Agricultura".Na nota de imprensa enviada
às redações, na quarta-feira, a Federação Agrícola dos Açores explicava
que o IFAP está a realizar uma atualização do sistema de identificação
parcelar, dando até agosto para que os agricultores regularizem as
situações "sob pena de serem excluídos das candidaturas aos apoios
comunitários", o que constituiria "uma diminuição inaceitável dos
rendimentos dos agricultores da região". A Federação Agrícola alertava que no caso dos Açores seria "muito difícil obter a documentação exigida".Segundo
a Secretaria Regional, "a especificidade dos Açores, no que concerne à
posse jurídica da terra das explorações agropecuárias, em muitos casos
está a ser condicionada por via da forte emigração ou por via das
heranças indivisas", principalmente "a emigração dos anos 60 e 70".Essa
situação, esclarece a Secretaria, "está a implicar várias situações de
dificuldade dos rendeiros em obter juridicamente comprovativos da posse
da terra", devido à morte dos proprietários, o desconhecimento do
paradeiro dos herdeiros ou as heranças indivisas, o envelhecimento dos
proprietários que não mostram interesse em redigir qualquer documento e a
existência de vários proprietários na mesma parcela.No
início, para a atualização do Sistema de Identificação Parcelar (iSIP)
"não era exigido os comprovativos da posse da terra, bastando
identificar a parcela, pelo que está em causa, na maioria das
explorações, estas situações do passado", refere o Governo.Atualmente,
só são inscritos novos terrenos "se forem comprovados juridicamente
pelo produtor como sendo ele o proprietário ou através de contrato de
arrendamento ou comodato", acrescenta o Governo.De
acordo com a Secretaria Regional da Agricultura, na Região Autónoma dos
Açores "foram identificados 3.400 beneficiários e 69.069 parcelas".