Açores vão propor a Bruxelas manter produção das castas do vinho de cheiro
10 de out. de 2024, 16:50
— Lusa/AO Online
“O
que vamos fazer, e está a ser preparada, é uma nova justificação
técnica e histórica”, para que a disposição comunitária continue a ser
prorrogada, declarou António Ventura, secretário regional da Agricultura
e Alimentação.Segundo António Ventura,
“mantém-se as limitações temporárias”, mas há sempre “uma autorização
temporária para a produção destas castas diretas, que têm a ver com o
vinho de cheiro”.O secretário Regional
admitiu, contudo, que o Governo Regional tem a ambição de deixarem de
existir prorrogações e a casta americana Isabelle, que gera o vinho de
cheiro, passar a integrar a carta relativa às castas de uvas de vinho
autorizadas pela União Europeia.“Nós não
vamos desistir que o vinho de cheiro continue a ser produzido nos Açores
e que passe definitivamente a ser uma casta reconhecida no portal do
vinho desta Europa unida”, assegurou.No
regulamento da Comissão Europeia que estabeleceu a organização comum dos
mercados dos produtos agrícolas impôs-se a proibição das variedades
híbridas de vinha como a casta Isabelle, cultivada nos Açores, tendo a
região vindo a beneficiar de derrogações.O
vinho de cheiro não está, no entanto, autorizado pela União Europeia a
ser comercializado no exterior, sendo apenas consumido na região. Neste
momento, os Açores beneficiam nesta matéria do regulamento comunitário
228/2013 do Parlamento Europeu e do Conselho, que estabelece medidas
específicas no domínio da agricultura a favor das regiões
ultraperiféricas, vulgarmente designado como POSEI.A
Comissão Europeia, apesar do regulamento comunitário de 1234/2007,
permite que “as uvas provenientes de castas colhidas nas regiões dos
Açores e da Madeira, podem ser utilizadas na produção de vinho que só
poderá circular dentro dessas regiões”.Os
anteriores governos socialistas defendiam a possibilidade de o vinho de
cheiro poder ser comercializado para o exterior, designadamente para os
Estados Unidos e Canadá, onde existem comunidades de emigrantes
expressivas com origem nos Açores.Nos
Açores, com quatro regiões demarcadas, existem 34 produtores de vinho e
62 vinhos certificados (que se traduzem em mais de 150 referências
comerciais).