Açores têm cerca de duas centenas de fortificações na orla costeira
25 de out. de 2017, 10:29
— Lusa/AO Online
“Não contabilizando pontos fortificados, nem vigias, que
são estruturas demasiado rudimentares, possuímos mais de 200
fortificações”, declarou à agência Lusa Avelino Meneses.A
Secretaria Regional da Educação e Cultura encomendou ao Instituto
Histórico da Ilha Terceira um estudo no sentido de ser feito um
“levantamento correto da situação das fortificações nos Açores”.Apesar
de terem sido já feitos vários levantamentos neste âmbito, o governante
destacou que face à degradação imposta pelo fator tempo era importante
apurar o seu real número.“Nós sentimos a necessidade de ficar com
uma fotografia correta das fortificações existentes nos Açores”, frisou
o titular da pasta da Cultura.Segundo Avelino Meneses, que é
também historiador, nem todas as fortificações existentes nos Açores
“possuem a mesma importância histórica e cultural”, admitindo, todavia,
com base no levantamento daquele instituto e em “função dos resultados
obtidos, vir a classificar como imóveis de interesse público os que se
achar mais relevantes”.O investigador Sérgio Rezendes disse, por
seu turno, que as fortificações nos Açores se encontram em “péssimo
estado de conservação, na sua maioria”.Sérgio Rezendes adiantou
que “constituem exceções” os fortes de São Brás, em Ponta Delgada, na
ilha de São Miguel, São João Baptista e São Sebastião, em Angra do
Heroísmo, na Terceira, e Santa Cruz, na Horta, Faial, que se encontram
em “relativo bom estado”.“A restante fortificação mais pequena ou
já desapareceu levada pelo mar ou corre o risco de desaparecer nas
próximas décadas”, alertou o historiador, considerando a iniciativa do
Governo Regional uma “boa notícia”.O investigador da Universidade
dos Açores e do Instituto de História Contemporânea da Universidade
Nova de Lisboa referiu, contudo, que “existe uma comissão nacional, com
representação regional, para o património militar”, sugerindo que sejam
“criadas sinergias” entre o executivo regional e este organismo, bem
como com o Museu Militar dos Açores, para um levantamento “com rigor e
alguma sensibilidade”, visando promover medidas de prevenção.Sérgio
Rezendes, que integra a equipa técnica do Governo da República que
acompanha a implementação de medidas e orientações relativas ao turismo
militar nos Açores, apontou a existência de fortificações na iminência
de desaparecem, como o Forte de São João Baptista, na ilha de Santa
Maria. Na ilha de São Miguel, a maior do arquipélago dos Açores,
existem cerca de 20 fortificações, sendo que a maioria destas são
privadas.