Açores têm apenas duas embarcações apreendidas nos portos

Hoje 09:33 — Nuno Martins Neves

Não são poucas as notícias de embarcações apreendidas ao largo da costa do arquipélago dos Açores, por motivos de suspeita de crime, sendo o tráfico internacional de estupefacientes um dos mais significantes. No entanto, até ao final de setembro, a Porto dos Açores, empresa pública responsável pela gestão de portos e marinas na Região e que, por isso, se torna “fiel depositária” das apreensões, tinha apenas duas embarcações na sua área de jurisdição.Um número que já foi maior, mas que nos últimos tempos tem vindo a reduzir-se, fruto da resolução dos processos judiciais pendentes. “No universo de infraestruturas portuárias sob jurisdição e gestão da Portos dos Açores, S.A. [14 portos, em nove ilhas e sete marinas ou núcleos de recreio náutico, em outras tantas ilhas] existem somente, nesta altura, duas embarcações apreendidas no âmbito de processos judiciais que ainda correm o seu curso nos tribunais competentes”, afirma a Portos dos Açores, em resposta ao Açoriano Oriental.Ambas encontram-se no porto de Ponta Delgada, desde agosto de 2022 e agosto de 2025, respetivamente, sendo que uma está em plano molhado e outro estacionada a seco, acrescenta a empresa.A sua estadia no porto de Ponta Delgada tem, naturalmente, custos: numa das embarcações, “não há qualquer taxa não cobrada”, esclarece a Portos dos Açores, pois a fatura está a ser paga pelo Gabinete de Administração de Bens (GAB), do Instituto de Gestão Financeira e Equipamentos de Justiça, do Ministério da Justiça (IGFEF); na outra embarcação, a empresa aguarda o número de compromisso do GAB para poder faturar “1.338,71 euros da estadia correspondente a 2025 e 2026 (até ao mês de setembro, para já)”.Questionada sobre a existência de incidentes, ambientais ou de outra ordem, envolvendo embarcações apreendidas depositadas nos portos e marinas de recreio geridas pela Portos dos Açores, a empresa pública regional responde apenas sobre as duas embarcações ainda apreendidas, dando conta que “não foram registados quaisquer incidentes durante o seu período de permanência nas nossas infraestruturas portuárias”.Contudo, numa primeira resposta ao jornal, a Portos dos Açores esclarece que mantém o seu “dever de salvaguarda ambiental e de segurança técnica”, mantendo uma “vigilância contínua sobre todas as unidades retidas, aplicando medidas preventivas e reforço de amarração”, em períodos de condições meteorológicas mais adversas.Quanto ao impacto na operacionalidade ou gestão dos 14 portos e sete marinas de recreio, ele é nulo: “Não há qualquer impacto a assinalar, ademais porque estas embarcações, apesar da sua situação de apreensão, continuam a estar sujeitas ao pagamento das devidas taxas portuárias, como qualquer outra embarcação que permaneça ou demande temporariamente os portos e as marinas do arquipélago”.Razão pela qual não se estranha que a Portos dos Açores não tenha tomado diligências junto dos Tribunais ou do Ministério da Justiça, explicando a empresa que “os processos em apreço seguem o seu curso regular no âmbito judicial e, sempre que solicitada a sua intervenção, a Portos dos Açores, S.A. colabora com as entidades, organismos e instituições que têm estas matérias à sua responsabilidade, no uso das atribuições e prerrogativas próprias”.