Açores sem guias de montanha suficientes para fazer face à procura do turismo
9 de set. de 2025, 14:39
— Lusa/AO Online
Os
dados recolhidos desde 2022 - momento a partir do qual a gestão da Casa
da Montanha, no Pico, transitou para a Secretaria Regional do Ambiente e
Ação climática - revelam que a procura “tem vindo a crescer,
verificando-se em 2024 um aumento de cerca de 18% face a 2023”.Apesar
de terem sido promovidos 22 cursos de guia de parques naturais dos
Açores, em todas as ilhas, e três cursos de guia da montanha do Pico,
entre 2015 e 2020, permitindo formar "mais de meia centena de guias de
montanha até à data", a tutela refere que, “por diversas razões, muitos
dos guias de montanha formados nesse período não exercem a função de
guia no Pico”.Segundo a secretaria
regional, este fator “tem vindo a provocar carência de recursos humanos
para que as empresas possam fazer face à procura de visitação, sobretudo
durante a época alta”.A montanha do Pico é
muito procurada por turistas na época alta, podendo a subida ser feita
com recurso a guias ou de forma autónoma, mediante o cumprimento de
determinadas regras que salvaguardam a segurança dos visitantes.A
Secretaria Regional do Ambiente e Ação Climática abriu pré-inscrições
para os cursos de guia do parque de natural de ilha do Pico e guia da
montanha, sendo que também estão abertas as inscrições para a formação
de guia de parque natural dos Açores, com previsão de realização “no
último trimestre deste ano".Atualmente, o
regulamento de acesso à montanha do Pico define uma capacidade máxima de
carga de 320 visitantes por dia e de 160 visitantes em simultâneo,
sendo a pernoita na cratera condicionada a 32 visitantes por dia.A
tutela admite, contudo, um decréscimo de 35% nas escaladas à montanha
do Pico no primeiro semestre do ano, o que “não acompanhou a tendência
de crescimento observada em anos anteriores, apresentando valores
semelhantes aos do ano de 2022”.Segundo o
Governo Regional, entre os principais fatores que poderão justificar
esta variação “estão as condições meteorológicas particularmente
adversas no início do ano”, nomeadamente “a ocorrência de neve até ao
mês de abril", que "limitou o acesso seguro ao topo da montanha". Acresce
a “emissão de vários alertas por parte do Instituto Português do Mar e
da Atmosfera (IPMA) que levou à interdição temporária ou à não
recomendação de subida por motivos de segurança, conforme está
estabelecido no regulamento de acesso à montanha do Pico”, o que “terá
condicionado o normal funcionamento das atividades e influenciado a
decisão dos visitantes e operadores turísticos”.A
montanha do Pico é uma área protegida especial, integrada no Parque
Natural da Ilha do Pico, abrangendo a Zona Especial de Conservação da
Montanha do Pico, Prainha e Caveiro, no âmbito da Rede Natura 2000.Está
classificada como geossítio prioritário de relevância internacional do
Geoparque Açores – Geoparque Mundial da UNESCO (sigla em inglês da
Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) e
constitui o ponto mais alto de Portugal, com 2.351 metros.