Açores são "verdadeiro laboratório de futuro"

Hoje 14:13 — Lusa/AO Online

“Hoje, os Açores são mais do que uma região pobre do país, a ultraperiférica da União Europeia. Porque o futuro desejado foi e é mais ambicioso do que isso. Queremos transformar os Açores numa região verdadeiramente reconhecida como região estratégica que aumenta Portugal”, disse.José Manuel Bolieiro, que falava na sessão comemorativa dos 50 anos das autonomias dos Açores e da Madeira, na Assembleia da República, lembrou que o mar e o espaço açoriano “dão a Portugal uma dimensão atlântica singular” e fazem do país “uma das grandes nações marítimas da Europa e do mundo”.“Os Açores conferem profundidade atlântica a Portugal e à União Europeia. Somos a grande fronteira ocidental da União Europeia e uma plataforma de estabilidade, de conhecimento e de cooperação num mundo cada vez mais insano”, afirmou, reconhecendo tratar-se de uma região de “oportunidades para as economias verde, azul e digital”, bem como para a ciência, para a tecnologia e para a inovação.“Num tempo de profundas transformações geopolíticas, energéticas, digitais e científicas, os Açores são um verdadeiro laboratório de futuro”, disse o governante, para quem a proteção do oceano, a investigação científica, a observação da terra, as tecnologias espaciais e a economia azul têm de ser encaradas como oportunidades.Para Bolieiro, é possível transformar “o que durante séculos foi visto como distância para ser agora visto como uma centralidade estratégica”, considerando que o reconhecimento do valor dos Açores “não pode ficar apenas nas palavras”. “Tem de traduzir-se em visão, em cooperação ativa e em investimento em infraestruturas críticas, estratégicas de interesse comum à região, ao país, à União Europeia e às nossas ligações e alianças internacionais”, salientou.Segundo o presidente do Governo açoriano, a autonomia política “não afastou nem afasta os Açores de Portugal”, pelo contrário, “fortaleceu a democracia e engrandeceu Portugal no mundo”.“O futuro de Portugal passa pelo valor do Atlântico. E o futuro do Atlântico conta com os Açores”, frisou.Já o presidente da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, Luís Correia Garcia, lembrou que a autonomia das regiões funcionou, considerando que “o patamar de desenvolvimento alcançado e a maturidade das instituições autonómicas nos mais diversos ciclos políticos confirmaram a autonomia como um instrumento adequado à governação e reforçam a nossa ambição de continuar a aperfeiçoá-la e a aprofundá-la”.Luís Garcia esclareceu que a autonomia “não pretende retirar nada a ninguém”, quer é “acrescentar sempre”, pelo que considerou “totalmente despropositados alguns receios e desconfianças que infelizmente ainda persistem”.“É mais do que o tempo de acabar com essas desconfianças. Porque aprofundar a autonomia não significa diminuir Portugal”, afirmou.O responsável deixou ainda críticas às incompreensões e respostas do Estado, nomeadamente em relação às “insuficiências persistentes nos serviços da justiça e da segurança” ou ao funcionamento da Universidade dos Açores e da RTP Açores, e também na não-assunção devida aos custos da insularidade na saúde, na educação, nos transportes e nas comunicações. Luís Garcia foi ainda crítico quanto àquilo que considerou como “incompreensões relativas à mobilidade dos açorianos e dos madeirenses, que comprometem um princípio essencial da continuidade territorial”.“No local próprio, deixem-me dizer, em nome do povo açoriano: O que recentemente se passou e disse nesta Assembleia sobre o então subsídio social de mobilidade simplesmente não devia ter acontecido. Feriu os açorianos e essas feridas ainda não foram completamente sanadas”, lamentou.O presidente da Assembleia Legislativa Regional frisou ainda que um dos maiores diferendos entre a região e a República reside na gestão do mar, assumindo a ambição de “participar mais na gestão do mar que nos rodeia” por acreditar “que tal é uma vantagem para o país”.Na sessão comemorativa dos 50 anos das autonomias dos Açores e da Madeira na Assembleia da República, em Lisboa, onde estiveram presentes o antigo presidente do executivo madeirense Alberto João Jardim (PSD) e os antigos líderes dos executivos dos Açores Carlos César (PS) e Vasco Cordeiro (PS).