Açores são “região atrativa” para imigrantes oriundos de 98 países
5 de nov. de 2025, 12:56
— Lusa
Leoter
Viegas, que preside à Associação de Imigrantes nos Açores (AIA), disse à
agência Lusa que a região “consegue absorver na totalidade a comunidade
imigrante que a procura para viver”.“A
esmagadora maioria destes imigrantes estão integrados no mercado de
trabalho e na sociedade açoriana”, afirma o presidente da AIA, que
destaca também como fator que favorece a integração o facto de se tratar
de “uma região pequena, dispersa em nove ilhas”, havendo imigrantes em
todas elas.Leoter Viegas considera que
outro dos fatores que contribuem para uma boa integração é os Açores
“continuarem a ser uma região de emigração”, o que é relevante para a
sensibilização do fenómeno, combatendo-se assim a “falta de mão-de-obra
em vários setores de atividade”.De forma
acentuada nas últimas décadas do século XX, os açorianos emigraram para
os Estados Unidos e Canadá, estimando-se que a comunidade açoriana
atinja nestes países mais de dois milhões de pessoas, tendo saído em
busca de maior qualidade de vida e do chamado “american dream” [“sonho
americano”], como acontece hoje com os imigrantes que procuram a região.Leoter
Viegas adiantou que “não tem havido grandes problemas relativamente à
integração dos imigrantes nos Açores”, contrariamente a casos registados
no continente”.“Não vamos criar o alarme
de dizer que há situações muito complicadas. Estamos sempre atentos para
o surgimento desses fenómenos, sendo que já houve alguns relatos de
alguns imigrantes discriminados nos locais de trabalho e atendimento nos
serviços públicos”, reconheceu.O
presidente da AIA sublinhou que tanto o Governo dos Açores como os
municípios são sensíveis ao fenómeno e têm o “entendimento que é
necessário promover políticas de integração dos imigrantes”, bem como
que a mão-de-obra estrangeira “é importante para a região”.O
executivo açoriano tem promovido “algumas ações que vão ao encontro da
boa integração”, como cursos de língua portuguesa e integração dos
imigrantes no sistema de saúde e ensino, mas considera ser necessário o
reforço dessas medidas face ao esperado aumento da imigração.O
responsável AIA defendeu, também, o reforço dos serviços públicos que
lidam com os imigrantes, como a Segurança Social, bem como se devem
“formar as pessoas para que possam ter um conhecimento mais adequado
sobre a nova realidade dos Açores”, que “se tornou uma região de
imigração”.“Os Açores estão a ser uma
região atrativa para os imigrantes porque estão a crescer, a criar
emprego e há muitas empresas que precisam de mão-de-obra”, afirmou
Leoter Viegas.O responsável destacou
também o fenómeno dos nómadas digitais na região, que “encontram um
ecossistema propício para trabalhar” e representam já um “número
significativo”.Nos Açores existe um
universo de cerca de oito mil imigrantes, mas assistiu-se a um aumento
de 30% face a dados de 2023, de acordo com a AIA.O
responsável refere que a estrutura da imigração nos Açores “mudou ao
longo do tempo”, tendo-se acolhido numa fase inicial, nos finais dos
anos 90 e inícios de 2000, pessoas oriundas da União Europeia (40% dos
imigrantes), depois dos países africanos de língua oficial portuguesa, a
par dos brasileiros (25 a 30%) e da Europa da Leste (Rússia e Ucrânia).A
“nova realidade” que emerge é um “fluxo considerável de imigrantes
vindos dos países asiáticos”, com predominância de cidadãos do Nepal,
que “já têm um peso significativo na estrutura dos cidadãos residentes
nos Açores”, a par de imigrantes da Índia e Bangladesh, bem como da
Argentina e Colômbia, sendo que na região residem pessoas oriundas de 98
países, referiu.