Açores registam uma subida de jovens “nem-nem” no terceiro trimestre deste ano

Hoje 09:29 — Filipe Torres

O número de jovens da Região Autónoma dos Açores que não estudam, não trabalham nem frequentam formação, também conhecidos como Jovens NEET ou “nem-nem”, aumentou no terceiro trimestre deste ano. Os dados foram divulgados ontem pelo Serviço Regional de Estatística dos Açores (SREA) e Instituto Nacional de Estatística(INE).No terceiro trimestre deste ano, a Região Autónoma dos Açores registava 8,4 mil jovens  “nem-nem” entre os 16 e 34 anos, dos quais 3,8 mil têm entre 16 e 24 anos e 4,6 mil entre os 25 e 35 anos. Este é o valor mais elevado na Região desde o primeiro trimestre de 2024, na altura com 9 mil jovens açorianos “nem-nem”, correspondendo a uma taxa de 16,6%. Por sua vez, a taxa de jovens “nem-nem” no país foi de 8,8% no terceiro trimestre deste ano, com 197,9 mil jovens nesta situação neste terceiro trimestre.Relativamente à taxa de desemprego, os Açores (4,3%) estão abaixo da média nacional (5,5%) pelo 11.º trimestre consecutivo, desde o primeiro trimestre de 2024, e são a terceira região com menor valor do país, apenas atrás do Alentejo e da Madeira (ambos com 4%).Comparando com o trimestre anterior, há uma melhoria de 0,7%. Em relação ao período homólogo, 3.º trimestre de 2025, há uma melhoria de 0,5%.Governo Regional não quer deixar nenhum jovem atrásQuestionado pelo Açoriano Oriental sobre o aumento do número de jovens NEET na Região, o diretor regional de Qualificação Profissional e Emprego, Renato Medeiros, reconhece a subida registada este ano e acompanha com particular atenção este indicador desde 2025.O diretor regional refere que  após uma descida significativa a partir do final de 2021, o valor atual mantém-se abaixo dos registados no final de 2019 (17,2%) e de 2020 (20,7%).Renato Medeiros salienta que há uma maior incidência entre os 20 e os 24 anos, idade em que muitos jovens transitam dos estudos para o mercado de trabalho, um dos focos da intervenção do executivo.Por isso, o diretor afirma que as respostas passam pelo reforço da sinalização e do acompanhamento individualizado dos jovens NEET, pela orientação vocacional e profissional e pelo encaminhamento para formação, estágios e inserção profissional, em linha com as propostas de políticas setoriais para 2027, que mantêm estes jovens como prioridade, com a Agenda Regional para a Qualificação Profissional e com o Mercado Social de Emprego.O entrevistado salienta que o executivo é parceiro com três projetos, “Empregar - 3EAZ”, “Vaivém” e “Heróis do Mar”, que testam novas formas de chegar a estes jovens, bem como um programa da Fundação “La Caixa” e o projeto europeu “OVER-SEES”, com um laboratório de governação integrada centrado nos jovens NEET.“O objetivo é que nenhum jovem fique sem resposta, isto é, sem uma oportunidade de emprego, estágio ou formação, num momento em que o mercado de trabalho precisa de trabalhadores”, conclui.Estudo para conhecer as causas não será fácilO professor da Universidade dos Açores (UAc), sociólogo e investigador integrado no CICS.NOVA, Fernando Diogo, entende que os Açores continuam a registar anualmente uma percentagem de jovens NEET elevada, e que esta é uma problemática antiga.Os dados do Eurostat indicam que há uma melhoria gradual desde 2016 (18,6%). Ainda assim, o valor de 2025 (11,9%) é ainda superior à média europeia (9%) e de Portugal (6,9%).O sociólogo refere que não há muita informação sobre este fenómeno nos Açores, e que os dados atualmente disponíveis não permitem compreender totalmente as razões que levam os jovens a ficar fora do sistema de ensino, emprego e formação.Defende, por isso, a realização de um estudo aprofundado que permita identificar as causas e encontrar soluções. Contudo, reconhece que esse estudo não será fácil, porque muitos destes jovens não estão inscritos nos centros de emprego e são difíceis de localizar.Questionado sobre uma das possíveis causas da diferença  dos Açores face ao resto do país, Fernando Diogo lança uma hipótese que pode ajudar a explicar o número, de forma parcial, com a possibilidade de haver um certo número de jovens mulheres que assumem a condição doméstica.O sociólogo reconhece que há uma grande evolução no papel da mulher no mercado de trabalho nos Açores. Enquanto que, em 1981, a Região era uma das regiões com menor taxa de atividade feminina,  em 2021 passou a ser a segunda região com maior participação, considerando uma “revolução silenciosa”.Salienta que a baixa escolaridade é um dos fatores associados a esta problemática. O sociólogo refere, ainda, que é fundamental compreender as causas que afastam os jovens do emprego, da educação e da formação.Notícia retificada às 11h00.