Açores recolhem mais de 115 mil quilos de lixo em ações costeiras e subaquáticas

Hoje 09:53 — Daniela Arruda

Entre 2015 e 2025 foram realizadas 690 ações de limpeza costeira e subaquática nos Açores. Ao todo, participaram mais de 12 mil voluntários e foram recolhidos 115.744 quilos de resíduos, o que equivale a mais de 115 toneladas de lixo retiradas do ambiente.Só no ano de 2025 houve 91 ações, com 1.968 voluntários e 11.313 quilos de resíduos recolhidos, os dados foram avançados pelo Relatório Técnico de Caracterização e Quantificação do Lixo Marinho nos Açores, no âmbito do Programa de Monitorização das Campanhas Voluntárias de Limpeza Costeira e Subaquática 2015-2025.O número de voluntários tem sido sempre a somarO número de campanhas tem vindo a aumentar ao longo dos anos, atingiu o pico mais alto em 2023, com 101 ações. Em 2015 tinham sido 31. Depois do pico, houve uma pequena descida: 81 campanhas em 2024 e 91 em 2025, ainda assim bem superior a 2015.O número de voluntários também cresceu. Em 2015 participaram 1.301 pessoas, e o maior registo foi em 2023, com 2.054 participantes. No total, até 2025, mais de 12 mil pessoas deram o seu contributo à causa ambiental.As nove ilhas participaram e desenvolveram campanhas de limpeza ao longo dos dez anos,  mas com variações de ilha para ilha. São Miguel lidera com 161 campanhas feitas entre 2015 e 2025. Segue-se a Terceira, com 132 ações, depois o Faial contabiliza 89, São Jorge 82 e o Pico 76. Nas restantes ilhas, registaram-se 53 campanhas na Graciosa, 45 em Santa Maria, 42 nas Flores e 10 no Corvo.Plástico continua  a ser o lixo mais encontradoO plástico é, de longe, o resíduo que é mais vezes recolhido nas limpezas costeiras. Dos 115.744 quilos recolhidos ao longos destes dez anos, mais de um terço (44.238) eram de plástico.  As embalagens, garrafas e outros materiais descartáveis continuam a aparecer em grande quantidade.O vidro, o metal, a madeira e a borracha também são materiais que aparecem com frequência. Desde 2021, os formulários passaram a separar melhor os tipos de lixo, como a madeira, papel/cartão, têxteis e borracha, o que ajudou a clarificar os dados dos resíduos recolhidos. A categoria “indiferenciado”, que era usada quando não era possível identificar o material, foi praticamente eliminada, passou de valores elevados em anos anteriores para apenas 54 quilos em 2025.Nem todos os locais têm a mesma quantidade de lixoOs dados do relatório mostram que há zonas onde o lixo se acumula mais do que noutras. Poucos locais concentram uma grande parte dos resíduos recolhidos. Nas limpezas costeiras, as maiores quantidades aparecem muitas vezes fora das zonas portuárias.Já nas ações subaquáticas, o lixo concentra-se, sobretudo, em portos e zonas com muita ativada marítima. Além disso, encontra-se  durante estas campanhas resíduos de borracha no fundo do mar, como pneus.O Faial e São Jorge foram as ilhas com mais lixo recolhido nas campanhas subaquáticas, cerca de 6.500 quilos cada, sobretudo, nas zonas portuárias. Em São Jorge destacou-se a grande quantidade de borracha, como pneus, enquanto no Faial foram registados muitos resíduos indiferenciados, sinal de lixo antigo em estado de degradação. Já a Terceira e Santa Maria tiveram menos volume total, mas com presença regular de vidro e metais.De 2015 a 2025 foram registadas 657 limpezas costeiras  e 33 ações subaquáticas.