Açores querem UE a proteger pescadores devido à criação das áreas marinhas
Hoje 15:46
— Lusa/AO Online
“Os Açores lideram pelo
exemplo. Fomos audazes na criação da maior Área Marinha Protegida do
Atlântico Norte, mas é importante que a UE tome medidas para proteger as
pescas e os pescadores dos Açores”, afirmou Artur Lima, citado num
comunicado.O número dois do executivo
açoriano lembrou que os Açores criaram uma rede de
áreas marinhas que protege 30% do mar do arquipélago, 15% dos quais em
regime de proteção total, numa área de 287 mil quilómetros quadrados.“A
Zona Económica Exclusiva (ZEE) dos Açores perfaz 30% da ZEE da UE,
sendo a terceira maior da UE e quase 60% da ZEE portuguesa”, reforçou o
governante.De acordo com a nota de
imprensa, Artur Lima falava num evento sobre áreas marinhas protegidas
intitulado “What do European Citizens know and think about Marine
Protected Areas”, acolhido pelo eurodeputado Paulo do Nascimento Cabral
(PSD), no Parlamento Europeu, em Bruxelas.O
vice-presidente do Governo Regional destacou que os Açores “concentram
os seus esforços na investigação e na proteção da biodiversidade
marinha”, alertando que as regiões ultraperiféricas “pagam pelos erros
de outros” no que toca à poluição marinha.“O
nosso mar traz valor e dimensão à Europa continental. Não esqueçamos
que os Açores são o ponto mais ocidental da Europa e representam a
última fronteira ocidental que deve ser protegida e preservada com
cuidado”, vincou.Artur Lima reiterou o compromisso da região com a proteção do oceano.“O
mar é o nosso lar e estamos a trabalhar arduamente para preservá-lo.
Para nós, o mar é da maior importância, e protegê-lo é vital”, declarou.Aprovada
em outubro de 2024, pela Assembleia Legislativa dos Açores, a Rede
Regional de Áreas Marinhas Protegidas da Região Autónoma dos Açores
(RAMPA), que abrange 30% do mar do arquipélago, deveria ter entrado em
vigor no dia 30 de setembro de 2025, mas foi adiada para 01 de janeiro
de 2026.O adiamento, aprovado pelo
parlamento açoriano, foi justificado com a necessidade de salvaguardar
que o mecanismo de apoio para a frota de pesca comercial tinha
enquadramento legal antes da entrada em vigor do quadro legal da RAMPA,
garantindo que não haveria “qualquer tipo de impacto económico negativo
no setor das pescas”.A nova Rede Regional
de Áreas Marinhas Protegidas dos Açores cobre 287 mil quilómetros
quadrados e “contribui significativamente para que Portugal e a União
Europeia cumpram os objetivos internacionais de conservação definidos
para a década”.A compensação aos
pescadores pela criação da Rede Regional de Áreas Marinhas Protegidas
dos Açores, de 10 milhões de euros, no máximo, será transferida entre
2026 e 2028, segundo uma resolução do Conselho de Ministros publicada a
21 de janeiro.