Açores querem três círculos nas eleições europeias e mudanças no estado de emergência
21 de abr. de 2023, 14:40
— Lusa
A proposta que propõe
alterações à lei eleitoral ao Parlamento Europeu (PE) para criar
círculos nos Açores e na Madeira foi aprovada por maioria, com 24 votos a
favor do PS, 21 do PSD, dois do CDS-PP, dois do PPM, um do Chega e um
do PAN, contra do BE e IL e a abstenção do deputado independente.A
iniciativa pretende a criação de “três círculos eleitorais, um com sede
em Lisboa, outro na Região Autónoma dos Açores, com sede em Ponta
Delgada, e outro na Região Autónoma da Madeira, com sede no Funchal”,
produzindo efeitos “no primeiro ato eleitoral relativo à eleição de
deputados ao Parlamento Europeu, subsequente à data da publicação do
presente diploma”.Por sua vez, a criação
de um Tribunal da Relação nos Açores foi aprovada por unanimidade, tal
como a anteproposta que altera a Lei de Financiamento dos Partidos
Políticos e das Campanhas Eleitorais, para atribuir um número de
identificação fiscal às estruturas regionais dos partidos.A
anteproposta que advoga a transferência da execução do estado de
emergência e de sítio do Representante da República para o Governo
Regional foi aprovada por unanimidade.As
iniciativas resultaram do trabalho da Comissão Eventual para o
Aprofundamento da Autonomia (CEAA) do parlamento açoriano e, uma vez
aprovadas, vão seguir para a Assembleia da República.Na
apresentação dos diplomas, o presidente da CEAA, o socialista Francisco
Coelho, defendeu que o atual sistema eleitoral para o PE “não serve” os
açorianos e lembrou os casos de Bélgica, Irlanda, Itália e Polónia que
têm diferentes círculos eleitorais.O líder
parlamentar do PSD/Açores, Bruto da Costa, recordou que a criação de um
circulo eleitoral nos Açores para o PE é uma “pretensão antiga” do PSD e
o deputado do CDS-PP Pedro Pinto evocou os direitos das regiões
ultraperiféricas no tratado de funcionamento da União Europeia.Paulo
Estêvão, do PPM, considerou que “ninguém representará melhor os Açores
do que um eleito pelo povo açoriano”, enquanto José Pacheco, do Chega
destacou que a consensualização de medidas prestigia o parlamento.O
deputado do BE António Lima alertou que a anteproposta, se for
implementada, vai criar “uma distorção no sistema” porque causará um
“desperdício de votos dos açorianos” e “reforçar os partidos mais
votados”.Também o deputado da IL Nuno
Barata disse discordar da iniciativa porque “quando os círculos
eleitorais ficam mais pequenos, a representatividade é menos
assegurada”. O independente Carlos Furtado
(ex-Chega) afirmou que a anteproposta devia ser “menos ambiciosa” e
propor um “círculo eleitoral único” para as regiões autónomas.Quanto
às alterações no estado de emergência e de sitio, Francisco Coelho
considerou que foi cometido um “erro jurídico” quando as competências de
execução daqueles estados foram transferidas do ministro da República
para o Representante da Republica, devido às diferenças entre os cargos
ao nível administrativo.“A atribuição da
garantia da execução da declaração do estado de emergência nas regiões
autónomas ao representante da República é desprovida de racionalidade
prática, quando é certo que tal órgão não é um órgão de vocação
executiva. […] Na verdade, entende-se que a competência para assegurar a
execução do estado de emergência nas regiões autónomas deve caber ao
Governo Regional, enquanto órgão executivo de condução da política nas
regiões e órgão superior da administração regional autónoma”,
justifica-se na proposta.