Açores querem ter 30% de Áreas Marinhas Protegidas até 2023
3 de dez. de 2021, 18:00
— Lusa/AO Online
Na sessão de abertura da reunião
para definição de novas Áreas Marinhas Protegidas (AMP), em Ponta
Delgada, Bolieiro lembrou a meta definida pela Estratégia de
Biodiversidade da União Europeia (UE), que pretende a implementação de
Áreas Protegidas em 30% do mar europeu até 2030.“Os Açores, o mar dos Açores, com o contributo que os Açores podem dar a Portugal, pode ser mais ambicioso”, declarou.O
líder regional acrescentou que a “pretensão” do executivo
(PSD/CDS-PP/PPM) é atingir aquela meta de 30% de Áreas Marinhas
Protegidas até 2023.“Nada será feito na
ausência e sem o acompanhamento e a apreciação crítica. Queremos, pois,
juntar a ciência à vida económica e à vida social e fazer com que a
influência mútua seja o principal resultado de consensos e de boa
ponderação”, afirmou.José Manuel Bolieiro
disse também existir o “objetivo” de realizar um “esforço maior” para
fazer com que 15% das AMP sejam "totalmente protegidas". “É outro objetivo de caráter científico e também de prestígio internacional”, apontou.O
social-democrata destacou a importância de “valorizar o pescado”,
promover a “sustentabilidade económica das pescas” e assegurar a
“qualidade ambiental”.“Não vamos, enquanto
decisores políticos, acompanhar a ciência em excessos que penalizam a
atividade e a sustentabilidade, a economia e os recursos humanos, como
também não podemos acompanhar o excesso predador de recursos”, realçou.A
primeira reunião para a definição das Áreas Marinhas Protegidas está a
decorrer hoje em Ponta Delgada e junta 18 entidades, entre as quais a
Federação das Pescas dos Açores, o Observatório do Mar dos Açores, a
Direção Regional do Ambiente, a Fundação Oceano Azul e a Sociedade
Portuguesa do Estudo das Aves.Em outubro, o
presidente da Federação das Pescas dos Açores, Gualberto Rita, disse à
Lusa, a propósito do Orçamento para 2022, que a "implementação de 30% de
áreas marinhas protegidas costeiras e longínquas", que "vão restringir o
acesso a áreas de pesca" e, consequentemente, "poderão também diminuir
significativamente as capturas".No
programa do Governo do atual executivo açoriano, aprovado em dezembro de
2020, lê-se que “muitas das áreas marinhas protegidas, apesar de
classificadas há vários anos, continuam sem uma gestão concertada e
adequada, muito por falta de recursos e meios”.Divulgado
em novembro de 2019, o relatório do programa Blue Azores sugeriu o
aumento significativo das zonas sob proteção total na zona económica
exclusiva (ZEE) dos Açores, uma vez que as áreas marinhas protegidas
existentes "não mostram benefícios claros".