Açores querem ser distinguidos como destino sustentável de observação de cetáceos
7 de out. de 2022, 10:15
— Lusa/AO Online
“Todas as certificações que
possamos ter, todos os sinais que possamos dar internacionalmente para a
sustentabilidade e para o valor da atividade aqui acabam por se
refletir positivamente, quer na atividade, quer na própria região”,
avançou, em declarações à Lusa, José Azevedo, um dos promotores da
candidatura a esta certificação, concedida pela World Cetacean Aliance.A
candidatura, preparada desde 2015, parte de um grupo de voluntários,
desde cientistas da Universidade dos Açores a empresários ligados à
observação de cetáceos e a outras atividades turísticas, passando também
por autarquias.Segundo José Azevedo, a
candidatura deverá ser entregue “até ao final do ano” e os Açores têm
boas hipóteses de receberem esta certificação.“A observação de cetáceos nos Açores é um exemplo a nível mundial”, frisou.O
biólogo sublinhou que a atividade foi regulamentada desde que se
iniciou, numa colaboração entre empresários e cientistas, que envolveu
sempre uma “preocupação com a sustentabilidade”.A
certificação irá “reforçar a sustentabilidade e a qualidade da
experiência de observação de cetáceos nos Açores”, para além de promover
o arquipélago como destino sustentável, defendeu o investigador da
Universidade dos Açores.Por outro lado, a
candidatura “tem associado um processo contínuo de verificação de que se
mantêm as condições iniciais”, o que implica um compromisso para que
essa sustentabilidade se mantenha futuro.José
Azevedo admitiu a necessidade de acompanhar a evolução da atividade nos
Açores, mas disse que a regulamentação tem partido sempre de um diálogo
entre empresários e cientistas. “Inicialmente,
a observação de cetáceos era feita em semirrígidos. Esses semirrígidos
entretanto foram aumentando de dimensão e agora algumas empresas optaram
por um novo sistema de barcos de maiores dimensões, que levam mais
pessoas. Há algumas questões, em termos de regulamentação, a ajustar”,
adiantou.O processo de revisão da
regulamentação já “está em curso” e o investigador considera que a
observação de cetáceos ainda tem potencial de crescimento nos Açores.“Quer-se
encorajar a que haja outras ilhas que também tenham atividade de
observação de cetáceos, quer-se regulamentar a questão dos barcos, para
limar algumas questões relacionadas com a evolução do mercado. Há
trabalho que já está a ser feito, numa base de muita participação”,
revelou.Para José Azevedo, a certificação
será também um “estímulo” para que se possa “aprofundar a relação dos
Açores e dos açorianos com os cetáceos, enquanto seres vivos e enquanto
parte de um ecossistema oceânico dinâmico”.A
caça à baleia, proibida desde 1984, teve um grande peso na economia
açoriana e a observação de cetáceos veio trazer um novo “paradigma”.Os
promotores vão recolher “contributos e ideias” para esse aprofundamento
da relação dos açorianos com a observação de cetáceos, num encontro que
decorre na Universidade dos Açores, em Ponta Delgada, no sábado, em que
será divulgada a candidatura a ‘Whale Heritage Site’ ao público.