Açores querem retomar vagas preferenciais de internato em especialidades carenciadas
Hoje 09:30
— Lusa/AO Online
“Estou a dar o exemplo de
urologia, como poderia dar também de otorrinolaringologia, cirurgia
plástica, dermatologia, neurocirurgia... São especialidades altamente
diferenciadas e, neste momento, na Região Autónoma dos Açores, corremos o
risco de perder alguns desses serviços. Naturalmente, estamos nesta
fase já a tentar evitar que isso ocorra”, afirmou a secretária regional
da Saúde e Solidariedade Social dos Açores, Mónica Seidi.A
governante falava aos jornalistas à margem de uma reunião da Comissão
Nacional do Internato Médico, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira.Mónica
Seidi admitiu que a região tem sentido dificuldades em captar e fixar
médicos em algumas especialidades mais diferenciadas, por isso apelou à
Comissão Nacional do Internato Médico para que ajude a região a
reivindicar junto da ministra da Saúde a criação de vagas preferenciais
em internatos médicos.“Isto não é um
capricho da Região Autónoma dos Açores, é uma necessidade para o Serviço
Regional de Saúde e para os utentes do Serviço Regional de Saúde e,
naturalmente, que vamos continuar o nosso trabalho em articulação também
com a Região Autónoma da Madeira para que possamos ter sucesso naquilo
que pretendemos”, apontou.Em causa estão
especialidades em que existe atualmente apenas um especialista por
hospital na região e outras em que os médicos estão perto da idade da
reforma.Segundo a titular da pasta da
Saúde já existiram no passado vagas preferenciais para regiões com mais
carências, como os Açores, mas há cerca de 10 anos desapareceram dos
mapas de vagas para internatos médicos.Com
uma vaga preferencial, um hospital dos Açores, por exemplo, asseguraria
o pagamento do salário do interno, mesmo que a formação não fosse feita
na totalidade nesse hospital, com o compromisso de que o médico
regressasse à região depois de concluída a formação.“Naturalmente,
ao longo do internato tem de haver aqui um acompanhamento pelo diretor
do internato para que sejam cumpridos todos os pressupostos e o interno
chegar ao final da especialidade e sentir-se capaz de se propor a
exame”, ressalvou Mónica Seidi.A titular
da pasta da Saúde disse esperar que as vagas preferenciais possam ser
retomadas já “no próximo processo de escolha das especialidades, que
ocorre no mês de novembro”.“O ano passado
tentámos junto da República que houvesse essa atenção e que pudessem ser
abertas, mas também admito que foi numa fase talvez já tardia do
processo. Este ano, esse levantamento já foi feito, já foi identificado e
estamos desde o início do ano a trabalhar no processo para que possamos
ter mais sucesso”, salientou.O processo
envolve o Conselho Regional do Internato Médico, o Conselho Nacional do
Internato Médico, os colégios de especialidade e a Administração Central
do Sistema de Saúde (ACSS) que, no âmbito da elaboração do Regime
Jurídico do Internato Médico, fazem essa proposta à ministra da Saúde.Noutras
especialidades menos diferenciadas, como medicina geral e familiar ou
medicina interna, a região tem aberto vagas de internato que ficam por
preencher, sobretudo nas ilhas mais pequenas.Segundo Mónica Seidi, a solução passa por criar incentivos, em colaboração, por exemplo, com as autarquias dessas ilhas.“Atendendo
àquilo que são as dificuldades de habitação, é completamente diferente o
interno saber que tem uma vaga, por exemplo, na ilha de São Jorge, num
dos municípios que está articulado connosco e que tem autorização para
que no mapa de vagas identifique que há possibilidade de habitação
atribuída ao interno se ele vier a ocupar essa vaga”, explicou.Questionada
sobre a contratação de um hemodinamista (cardiologista especializado em
cardiologia de intervenção) para o Hospital da Ilha Terceira, a titular
da pasta da Saúde disse que ainda estão a decorrer as obras na unidade
coronária do hospital, para a instalação do angiógrafo, mas que vários
especialistas já manifestaram interesse em ocupar a vaga.“O
conselho de administração e o próprio diretor de serviço de Cardiologia
têm feito vários contactos. Não sei dizer diretamente se já há uma
pessoa, sei que tinha havido uma manifestação de interesses de vários
cardiologistas, mas creio que essa situação será ultrapassada pelo
conselho de administração”, revelou.