Açores querem liderar agenda internacional nas questões do mar, diz Especialista
23 de nov. de 2019, 01:59
— AO Online/ Lusa
"Vemos realmente que os Açores querem mesmo liderar não só Portugal, como uma agenda internacional nessa matéria [da proteção dos oceanos] e isso será muito importante para o futuro das próximas gerações", afirmou à agência Lusa José Soares dos Santos, no final da apresentação do relatório científico do programa Blue Azores, que decorreu hoje, na cidade da Lagoa, em São Miguel.O programa Blue Azores é resultante de uma parceria entre o Governo dos Açores, a Fundação Oceano Azul e a Waitt Foundation, e visa "contribuir para que os Açores sejam uma economia modelo para uma sociedade azul onde o capital natural é protegido, valorizado e promovido", lê-se no relatório.O estudo foi realizado após duas expedições científicas, uma em 2016 ao grupo oriental (que contou com 16 participantes e percorreu cerca de 278 quilómetros), e outra, em 2018, aos grupos central e ocidental do arquipélago (que teve 96 participantes e percorreu cerca de 1203 quilómetros).José Soares dos Santos defendeu que a Universidade dos Açores terá "um papel fundamental" no programa, uma vez que deve ser a "plataforma que agregará todo o conhecimento sobre o mar", tornando-se num "grande centro mundial" com o apoio de "muitas organizações internacionais" interessadas no estudo do mar da região."Estarmos com todo esse programa sem deixarmos nos Açores um grande centro de conhecimento de ciência, divulgação, de diálogo, é um bocadinho um trabalho perdido. Daí a importância da universidade", apontou.No seguimento das conclusões do relatório, o presidente da Oceano Azul revelou que se deve "realmente" implementar as "áreas marinhas protegidas", pedindo "diálogos", uma vez que esse trabalho "não pode ser feito à margem da comunidade açoriana"."Temos de começar os diálogos sérios, em alguns casos duros, mas são diálogos e temos de chegar aqui a um consenso para que sejamos eficazes na implementação [das Áreas Marinhas Protegidas]", frisou, especificando que este diálogo deve ser feito com o Governo Regional, população, cientistas e "comunidades que vivem do mar".Na sessão de apresentação, o presidente do Governo Regional dos Açores, Vasco Cordeiro, assinalou que pretende que o programa Blue Azores seja encarado como um "sinal de futuro", defendendo que se deve "criar uma frente unida de defesa e proteção" do mar.A diretora do Instituto Waitt, Kathryn Mengerink, apontou que os Açores são um "lugar tão especial", não apenas devido à "incrível biodiversidade", mas também por estarem a "liderar" um caminho para um "futuro sustentável".Um dos investigadores que participou nas expedições, Pedro Afonso, do Instituto do Mar, destacou aos jornalistas que uma das conclusões principais da investigação se prende com a "evidência de que o ambiente costeiro das ilhas apresenta" sinais de degradação "consideráveis"."Estamos num momento em que temos de olhar para os sinais que estão à nossa frente de forma realística", alertou.Na sessão de apresentação do estudo foi também visualizado o documentário produzido pela National Geographic sobre as expedições.