Açores querem grupo de trabalho para lidar com eventual aumento de deportados dos EUA
22 de jan. de 2025, 17:00
— Lusa/AO Online
Uma das medidas previstas na versão
preliminar do plano de ação, a que a agência Lusa teve acesso, é a
criação de um grupo de trabalho que visa o “reforço das respostas já
existentes” e a “criação de novas respostas” para lidar com um possível
aumento do número de deportados dos Estados Unidos.O
grupo de trabalho deverá ser constituído pelo Instituto da Segurança
Social, pela Associação dos Emigrantes dos Açores e pelas direções
regionais da Habitação, Educação, Saúde, Solidariedade Social,
Qualificação Profissional e Emprego, e da Cooperação com o Poder Local.De
acordo com o plano, a secretaria dos Assuntos Parlamentares e
Comunidades pretende constituir uma estrutura consultiva do Governo dos
Açores composta por várias organizações americanas (como o Centro de
Assistência a Imigrantes de New Bradford), por casas dos Açores e por
conselheiros da diáspora açoriana.A
secretaria regional liderada por Paulo Estêvão compromete-se, também, a
fazer o “acompanhamento e análise contínua da produção legislativa” dos
Estados Unidos sobre questões de imigração, de “forma a planear, caso se
justifique, medidas mitigadoras”.O plano
prevê a articulação entre os governos dos Açores e da República e o
envolvimento da Assembleia Regional, através da participação dos
partidos políticos no “aperfeiçoamento” do documento.Fonte
oficial do Governo Regional confirmou que uma versão
preliminar do plano de ação para responder a um possível aumento dos
deportados vindos dos Estados Unidos será apresentada pelo
secretário dos Assuntos Parlamentares e Comunidades no Conselho do
Governo na quinta-feira.O documento,
elaborado na sequência das políticas para a imigração anunciadas pelo
novo Presidente americano, Donald Trump, vai receber o contributo de
outros membros do executivo regional, dos grupos parlamentares e da
sociedade civil, acrescentou a mesma fonte.A 13 de janeiro, o Governo dos Açores anunciou que estava a preparar um
plano de contingência para acolher emigrantes açorianos que venham a ser
deportados pela nova administração Trump.“Não
é o cenário previsível, mas estamos a preparar-nos para o pior”,
afirmou o secretário regional dos Assuntos Parlamentares e
Comunidades, admitindo que possam vir a ser deportados “centenas” de
emigrantes oriundos dos Açores, que estarão em situação ilegal nos EUA.No
sábado, em entrevista à Lusa, o secretário de Estado das Comunidades
Portugueses afirmou que o Governo não prevê, para já, deportações em
massa de portugueses indocumentados nos Estados Unidos, mas garantiu que
a situação está a ser monitorizada com “muita atenção e cautela”.