Açores querem estar na vanguarda do desenvolvimento energético
14 de mai. de 2025, 16:40
— Lusa/AO Online
“Somos
líderes e somos um verdadeiro laboratório, na medida em que temos
vários tipos de energia: renovável, eólica e fotovoltaica, mas,
sobretudo, a geotérmica, que é a única na União Europeia (UE) ao nível
das ilhas”, disse Berta Cabral à agência Lusa.A
secretária Regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas dos Açores
falava em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, à margem da sessão de
abertura do evento Clean Energy For EU Islands - Fórum 2025 [Fórum 2025
da Iniciativa Energia Limpa para as Ilhas da União Europeia (UE), em
português], um encontro que decorre até quinta-feira e que junta vários
especialistas que debatem o futuro com 100% de energia renovável,
equilibrando as prioridades ambientais, económicas e sociais.“[Nos
Açores] estamos alinhados com aquilo que se passa neste fórum e
queremos estar na vanguarda do desenvolvimento energético”, sublinhou a
governante.Berta Cabral recordou que os
Açores investem em energias renováveis desde 1980, uma aposta que está
relacionada com a “grande preocupação de criar autonomia energética nas
ilhas”.A região tem um plano para a descarbonização até 2050, que já contempla “metas muito ambiciosas” até 2030.“Não
será muito fácil atingir algumas, mas nós temos que ser ambiciosos nas
metas. E não é fácil porque temos que ter sempre este equilíbrio entre a
produção, o transporte e a distribuição, e a consciência de que somos
micro redes que têm que ter equilíbrio para não faltar o abastecimento”,
observou.Apesar das dificuldades, a
região está a “caminhar nisso: Há novas tecnologias ao nível do
armazenamento de energia em baterias. Já temos isso em São Miguel,
Terceira e Graciosa. Temos de caminhar para instalar mais”, afirmou a
governante.Depois de referir que são
necessários fundos comunitários, Berta Cabral apontou que, no encontro
relacionado com produção, distribuição e comercialização de energias
renováveis nas ilhas europeias, onde estão representantes de mais de 30
ilhas, também se discutem “as oportunidades de financiamento europeu
para este tipo de investimentos”.Na
abertura dos trabalhos, Berta Cabral, que se expressou em inglês,
referiu que a iniciativa Energia Limpa para as Ilhas da UE é “uma
ferramenta essencial para alcançar um dos objetivos mais importantes da
nossa época: a transição energética”.“Numa
altura em que o mundo enfrenta desafios crescentes no fornecimento e na
segurança energética, com uma pressão intensa para reduzir as emissões
de gases com efeito de estufa e alcançar a independência dos
combustíveis fósseis, as ilhas europeias devem ser vistas como
laboratórios vivos que podem facilitar esta transição”, disse.Também
abordou a Estratégia Energética dos Açores 2030, que visa “reduzir
drasticamente a dependência dos combustíveis fósseis e caminhar para uma
maior autonomia energética, baseada na eficiência e na
sustentabilidade”.Até 2030, a região
pretende reduzir o uso de gás butano em 50%, aumentar a eficiência
energética em 25% no transporte terrestre, aumentar a eficiência
energética em edifícios em 28%, melhorar a eficiência energética em
empresas em 40%, atingir 70% de eletricidade renovável, melhorar a
eficiência energética em 33% e reduzir as emissões de gases com efeito
de estufa em 40%.A secretária regional
assinalou, no entanto, que “a transição verde, por mais necessária e
desejável que seja, exige uma abordagem responsável, sustentada e
tecnicamente sólida”,“O recente apagão que
afetou vários países europeus, incluindo Espanha e Portugal, deve
servir de alerta para os riscos que podem surgir num sistema energético
cada vez mais complexo”, alertou.No caso
dos Açores, o desafio é ainda mais exigente, por ser uma região
ultraperiférica, com nove ilhas, com nove micro redes independentes, sem
interligação, com capacidade de armazenamento limitada e reduzida
capacidade de resposta a eventos extremos.